Rio Branco, 1 de junho de 2026.

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Epitaciolândia é a segunda principal porta de entrada do país para estrangeiros resgatados de trabalho escravo

Epitaciolândia responde por 14,6% dos registros nacionais de entrada de estrangeiros – Foto cedida

O município de Epitaciolândia, na fronteira do Acre com a Bolívia, aparece como a segunda principal porta de entrada do Brasil para trabalhadores estrangeiros que posteriormente foram resgatados de condições análogas à escravidão. O dado faz parte de levantamento divulgado pelo Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas (SmartLab), iniciativa desenvolvida em parceria entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

De acordo com a plataforma, Epitaciolândia responde por 14,6% dos registros nacionais de entrada de estrangeiros resgatados entre 2003 e 2022. O município acreano fica atrás apenas de Corumbá (MS), responsável por 29,1% dos casos. Em seguida aparecem Pacaraima (RR), com 12,1%, e Foz do Iguaçu (PR), com 9,47%, Ponta Porã (MS) e Rio Branco (AC).

Os números evidenciam a relevância da fronteira acreana nos fluxos migratórios internacionais que chegam ao país. Ligada diretamente à cidade boliviana de Cobija, Epitaciolândia é uma das principais portas terrestres de acesso ao território brasileiro, especialmente para migrantes vindos de países da América do Sul e do Caribe em busca de oportunidades de trabalho.

O levantamento mostra que a Bolívia lidera a lista dos países de origem dos estrangeiros resgatados em situações de exploração laboral no Brasil. Na sequência aparecem Haiti, Venezuela, Paraguai e Peru. Entre as cidades de origem mais frequentes estão La Paz e Cochabamba, ambas na Bolívia, além de Ganthier e Porto Príncipe, no Haiti, e Bella Vista, no Paraguai.

Embora o estudo não indique que os casos de exploração tenham ocorrido no Acre, os dados reforçam a posição estratégica da região de fronteira nos deslocamentos migratórios e chamam atenção para a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção de trabalhadores em situação de vulnerabilidade.

Acre também registra resgates

Além de aparecer como rota de entrada, o Acre também possui registros de trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão. Segundo os dados do SmartLab, 263 pessoas foram resgatadas no estado entre 1995 e 2024.

Rio Branco concentra o maior número de ocorrências, com 101 resgates. Em seguida aparecem Tarauacá, com 55; Bujari, com 34; Manoel Urbano, com 27; e Sena Madureira, com 19. Também foram registrados casos em Porto Acre e Plácido de Castro, com oito resgates cada, Feijó, com sete, e Xapuri, com quatro.

No começo deste ano, a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou que em 2025 o Acre teve mais 19 pessoas resgatadas em situação análoga à escravidão. No entanto, esses números não aparecem na plataforma criada pelo SmartLab.

Entre 1995 e 2024, mais de 65 mil trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em todo o Brasil, segundo informações da Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego. O observatório utiliza principalmente dados relacionados ao seguro-desemprego especial concedido aos trabalhadores resgatados, considerado uma das bases mais consistentes para monitorar o problema no país.

Os números divulgados pela parceria entre MPT e OIT reforçam que o combate ao trabalho escravo contemporâneo continua sendo um desafio nacional e que regiões de fronteira, como a existente entre Acre e Bolívia, ocupam posição central na compreensão dos fluxos migratórios que podem expor trabalhadores a situações de exploração e violação de direitos.

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