
Moradores da Cidade do Povo denunciam as condições da rua que dá acesso à Escola Estadual Márcio Bestene Koury, em Rio Branco. Um vídeo gravado pela comunidade e publicado nas redes sociais da escola nesta quarta-feira, 10, mostra estudantes e servidores enfrentando dificuldades para acessar o local. Segundo relatos, os ônibus escolares também tiveram problemas para trafegar.
Mãe de uma aluna e presidente do Setor 3 da Cidade do Povo, Leia Silva afirma que o problema é antigo e ocorre desde a inauguração da escola, em 2019.
“Já vai completar nove anos que a gente vem enfrentando isso. Sempre que chove acontece o mesmo problema. Agora ficou ainda pior por conta das construções das novas casas. Fizeram terraplanagem, compactaram o terreno, mas o asfalto não veio. Antes ainda tinha pedra e areia, agora virou um atoleiro”, relatou.
Segundo a presidente, a falta de infraestrutura já prejudicou a rotina escolar de diversas famílias. A moradora relata que pessoas com deficiência, incluindo pais e alunos com baixa visão, precisam acessar diariamente a escola. Segundo Leia, cadeirantes que necessitam acessar o local não conseguem utilizar a rua.
“Já deixei minha filha sem vir para a escola por falta de trafegabilidade da rua. Ontem foi um dia muito difícil. As crianças precisavam ser carregadas para conseguir chegar. Depois deu muito trabalho para a equipe de apoio, que precisou lavar sapatos, sandálias e até os pés dos alunos por causa da lama”, disse.
Leia afirma que a comunidade já fez diversos pedidos de melhoria ao longo dos últimos anos, mas ainda aguarda uma solução.
“Eu espero que dessa vez alguém consiga nos ajudar, porque não é de agora que fazemos essas reivindicações. Os pais precisam desse apoio”, destacou.
Professora da unidade desde 2020, Sheyla Angelim afirma que a situação se agravou após o início das obras habitacionais na região. Segundo a servidora, o local fica ainda mais intrafegável nos dias de chuva.
“A escola é conhecida por muitos como ‘a escola do mato’. As ruas nunca foram asfaltadas, mas as condições eram melhores do que as que enfrentamos atualmente […] Nesses dias [de chuva], professores, funcionários, alunos e pais precisam enfrentar muita lama para conseguir chegar à escola. Muitas vezes, somos obrigados a deixar os carros longe e seguir o restante do percurso a pé”, afirmou.

A servidora relata ainda que a situação já foi comunicada às autoridades, mas sem solução efetiva: “A situação já foi comunicada às autoridades por meio de solicitações feitas pela liderança comunitária, mas até o momento não tivemos uma solução efetiva. Não estamos pedindo luxo, estamos pedindo condições mínimas para que nossas crianças tenham acesso à educação com dignidade”, ressaltou.
De acordo com a professora, o que a comunidade espera nesse momento é uma solução urgente para garantir condições de acesso à escola, mesmo com alternativas paliativas:
“Mesmo que o asfaltamento não seja possível neste momento, medidas como a colocação de piçarras ou tijolos já ajudariam bastante a melhorar o tráfego […] Se nada for feito, continuaremos enfrentando os mesmos problemas sempre que ocorrer uma chuva mais forte”, relatou.
A reportagem do Portal Acre procurou a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (Seinfra). De acordo com o secretário, Cid Ferreira, uma equipe da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), deve se encaminhar ao local para iniciar o melhoramento da rua, no máximo, até esta sexta-feira, 12.








