Rio Branco, 7 de julho de 2026.

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Da “casa dos caçambeiros” ao legado da primeira mulher no comando do Deracre

Sula comandou o Deracre por mais de dois anos – Foto cedida

“Cadê as obras?” A pergunta apareceu mais de uma vez nas redes sociais durante a gestão de Sula Ximenes à frente do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre). Para quem acompanhava apenas o movimento das máquinas, a resposta parecia demorar. Mas ela começou a ser construída muito antes de a primeira frente de serviço chegar aos municípios.

Nos bastidores da política acreana, o Deracre sempre foi conhecido como a “casa dos caçambeiros”. A expressão faz referência ao universo das máquinas pesadas que simbolizam a autarquia e também ao fato de que, durante mais de seis décadas de história, o órgão foi comandado exclusivamente por homens.

Esse cenário mudou em março de 2024, quando o então governador Gladson Cameli nomeou Sula Ximenes para a presidência do Deracre. Servidora da autarquia desde 2013, ela entrou para a história como a primeira mulher a comandar o órgão, depois de construir uma trajetória que passou pelo atendimento ao público, chefia de gabinete e Diretoria de Planejamento e Expansão, onde participou da elaboração de projetos estratégicos e da captação de recursos para obras em todas as regiões do Acre.

A missão, porém, estava longe de ser simbólica. A Operação Ptolomeu havia provocado uma das maiores crises da história da autarquia. Após o afastamento de Petrônio Antunes, o Deracre passou por sucessivas mudanças na presidência. Sócrates Guimarães assumiu interinamente, depois veio Roberto Murad, período em que Roberto Assaf passou a integrar a equipe do órgão. Com a saída de Murad, Sócrates voltou a responder pela autarquia até a chegada de Sula.

Ao assumir a presidência, Sula decidiu manter Roberto Assaf na equipe e iniciou um trabalho de reorganização administrativa. O desafio era recuperar a credibilidade do Deracre, restabelecer a confiança de fornecedores, reorganizar contratos, fortalecer a relação com prefeitos e parlamentares e devolver ao órgão sua capacidade de executar obras em todo o Acre.

“Ser a primeira mulher a presidir o Deracre foi uma honra, mas também uma grande responsabilidade. Nosso compromisso sempre foi entregar resultados. O legado dessa gestão está nas obras entregues, nos ramais recuperados, nas pontes construídas e na vida das pessoas que voltaram a ter acesso, mobilidade e dignidade”, afirma Sula Ximenes.

Foi a partir dessa reorganização que a pergunta feita nas redes sociais começou a ser respondida. Em pouco mais de dois anos, o Deracre voltou a abrir frentes de serviço em todas as regiões do estado e encerrou a gestão com resultados expressivos. O Relatório Anual de Gestão registra mais de R$ 660 milhões investidos em infraestrutura, 17 obras concluídas, 105 frentes de serviço executadas, 11,6 mil quilômetros de ramais recuperados, quase R$ 32 milhões aplicados na infraestrutura rural, mais de R$ 34 milhões destinados ao apoio aos municípios, mais de 21 mil toneladas de massa asfáltica utilizadas em vias urbanas e mais de R$ 50 milhões empregados na manutenção das rodovias estaduais.

Ponte da Sibéria foi uma das principais obras entregues pelo governo durante a gestão de Sula Ximenes no Deracre – Foto cedida

Os investimentos chegaram aos 22 municípios acreanos. Em Xapuri, a gestão entregou a Ponte da Sibéria, a maior obra concluída pelo Deracre no período, encerrando uma espera histórica e garantindo a ligação definitiva entre o Centro e o Segundo Distrito. Em Tarauacá, foram entregues a nova entrada da cidade e a pavimentação da Rua Avelino Leal. Em Sena Madureira, a gestão concluiu a Casa do Produtor e recuperou a Estrada Mário Lobão, além de avançar com a passarela do Ramal do Adolar. Em Feijó, foram entregues a Rua Pedro Alexandrino, o pátio do Hospital-Geral e o novo campus do Instituto Federal do Acre (Ifac). Em Porto Acre, o Deracre entregou a Casa dos Mototaxistas, executou melhorias no Ramal do Açaí e avançou com a pavimentação do Ramal dos Paulistas.

Em Rio Branco, a autarquia entregou o acesso ao Centro Integrado de Esporte (Cieps), o pátio da Controladoria-Geral do Estado (CGE), o estacionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a pavimentação da Estrada Dias Martins, entre o Ipê e o Universitário. Também iniciou a pavimentação do bairro Jardim de Alah e deu início à construção do Arco Viário, obra que contempla a sexta ponte sobre o Rio Acre. No Juruá, avançaram as obras da AC-405, enquanto também seguiram em execução a Ponte do Andirá, a passarela de Marechal Thaumaturgo e a recuperação das vias da Vila Campinas.

Além das obras estruturantes, o Deracre manteve equipes atuando continuamente na recuperação de rodovias estaduais, manutenção de pontes, melhoria da trafegabilidade dos ramais e conservação dos aeródromos, garantindo acesso para estudantes, pacientes, produtores rurais e comunidades isoladas.

Sula durante uma de duas últimas agendas como presidente do Deracre – Foto cedida

A gestão também investiu na modernização da própria autarquia. A sede administrativa, o almoxarifado, o auditório, a usina de asfalto e as regionais de Sena Madureira, Brasileia, Feijó e Cruzeiro do Sul passaram por reformas. A frota foi reforçada com novos caminhões, escavadeiras hidráulicas, rolos compactadores, uma usina móvel de asfalto e diversos equipamentos. Ao fim da gestão, o Deracre contava com cerca de 500 máquinas e equipamentos entre veículos próprios e cedidos.

O trabalho desenvolvido também foi reconhecido fora da autarquia. Durante a gestão, Sula Ximenes recebeu 27 homenagens, entre moções de aplausos, moções de reconhecimento, títulos honoríficos e premiações como Mulher Destaque, concedidas por câmaras municipais, instituições e entidades em reconhecimento à atuação na infraestrutura e ao compromisso com o desenvolvimento do Acre.

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