
Embora o número de atendimentos por síndrome gripal tenha diminuído em 2026, o Acre vive um cenário oposto quando se analisam os casos mais graves das doenças respiratórias. Dados do Boletim Epidemiológico nº 23 da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) mostram que o estado registrou, nas primeiras 27 semanas epidemiológicas deste ano, o maior número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) dos últimos três anos, indicando um aumento da gravidade dos casos acompanhados pela rede de saúde.
Entre as semanas epidemiológicas 1 e 27, foram contabilizadas 1.929 internações por SRAG, número superior às 1.639 registradas em 2024 e às 1.425 de 2025. Em contrapartida, os atendimentos por síndrome gripal nas quatro unidades sentinelas do estado caíram para 12.594 consultas, contra 15.732 no ano passado e 14.664 em 2024, o menor volume do triênio.
A comparação revela que, apesar da redução nos casos leves monitorados pelas unidades sentinelas, mais pacientes evoluíram para quadros que exigiram internação hospitalar, especialmente crianças e idosos, grupos considerados mais vulneráveis às complicações das infecções respiratórias.
O próprio boletim destaca que 2026 apresentou um comportamento epidemiológico atípico. As internações permaneceram elevadas desde o início do ano, com 71 casos já na segunda semana epidemiológica, alcançando o pico de 103 hospitalizações na semana 22. Segundo a análise da Sesacre, esse cenário está associado principalmente ao aumento dos casos de bronquiolite e pneumonia em crianças, além da circulação de vírus respiratórios que também provocam complicações graves em idosos e pessoas com doenças crônicas.
Entre os agentes identificados nas amostras coletadas de pacientes hospitalizados, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) aparece como o principal responsável pelas internações, seguido pelo rinovírus e pela Influenza A. O boletim chama atenção para o crescimento contínuo do VSR, que passou de 271 casos em 2025 para 341 em 2026, consolidando-se como a principal causa de bronquiolite e de infecções graves das vias respiratórias inferiores no estado. O rinovírus também apresentou aumento, passando de 201 para 316 detecções no mesmo período.
A análise da distribuição por faixa etária reforça o impacto sobre os extremos da vida. Crianças de até 9 anos e idosos com 60 anos ou mais continuam sendo os grupos com maior número de internações. Apenas entre os idosos foram registrados 359 casos até a semana 27, enquanto crianças de 2 a 4 anos somaram 401 internações, o maior total entre todas as faixas etárias analisadas.
Outro aspecto observado pela vigilância epidemiológica é a mudança no perfil dos vírus circulantes. Enquanto o rinovírus permanece como o principal agente das síndromes gripais atendidas nas unidades sentinelas, a circulação do SARS-CoV-2 caiu drasticamente. Em 2026 foram identificados apenas cinco casos de covid-19 entre as amostras analisadas para síndrome gripal, contra 55 no mesmo período do ano anterior.
Diante do cenário, a Sesacre reforça a importância das medidas preventivas, como a vacinação contra influenza, especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas, além da higiene das mãos e da etiqueta respiratória, para reduzir o risco de agravamento das infecções respiratórias.








