
As crianças e adolescentes passaram a concentrar a maior parte das mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Acre em 2026, revelando uma mudança importante no perfil epidemiológico das doenças respiratórias no estado. O dado consta no Boletim Epidemiológico nº 23 da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), que também aponta baixa cobertura vacinal contra a influenza entre os grupos prioritários, cenário que aumenta a preocupação das autoridades de saúde.
Segundo o levantamento, entre as semanas epidemiológicas 1 e 27 deste ano foram registrados 50 óbitos por SRAG. Desse total, 51% ocorreram entre crianças e adolescentes de até 19 anos, enquanto as mortes entre idosos apresentaram redução em relação aos anos anteriores. O boletim destaca que esse comportamento representa uma mudança no perfil epidemiológico observado no Acre, já que historicamente os idosos concentravam a maior parte das mortes por complicações respiratórias.
Os dados mostram que somente entre crianças menores de 2 anos ocorreram 10 mortes neste ano, além de seis óbitos na faixa de 2 a 4 anos, oito entre crianças de 5 a 9 anos e cinco entre adolescentes de 10 a 19 anos. Entre os idosos com 60 anos ou mais foram registrados 16 óbitos, número bem inferior aos 45 registrados em 2025 e aos 85 contabilizados em 2024, considerando o mesmo período do ano.
O boletim também evidencia que os pequenos continuam entre os grupos mais vulneráveis às formas graves da doença. As crianças de 2 a 4 anos lideram o número de internações por SRAG em 2026, com 401 hospitalizações, seguidas pelas de 5 a 9 anos, com 357 casos. Entre os idosos, foram registradas 359 internações, confirmando que os extremos de idade permanecem como os grupos de maior risco para evolução das infecções respiratórias.
A análise da vigilância epidemiológica aponta que o avanço do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) ajuda a explicar esse cenário. O vírus, principal causador de bronquiolite e uma das principais causas de pneumonia em crianças pequenas, apresentou crescimento contínuo no Acre, passando de 271 casos em 2025 para 341 em 2026. Também houve aumento das detecções de rinovírus, outro agente associado às infecções respiratórias.
Baixa vacinação preocupa
Outro fator que preocupa é a baixa adesão à vacinação contra a influenza. De acordo com a tabela de cobertura vacinal apresentada no boletim, o Acre imunizou apenas 41,02% das crianças e 27,48% dos idosos, índices muito abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde para os grupos prioritários. Entre as gestantes, a cobertura estadual alcança 64,05%.
No Alto Acre, a situação também está distante do ideal. A cobertura vacinal chega a 44,96% entre crianças e 31,82% entre idosos. Em Xapuri, por exemplo, foram vacinados 53,82% das crianças e apenas 26,77% dos idosos, enquanto Brasiléia registra cobertura de 34,46% nas crianças e 36,47% entre idosos. Em Epitaciolândia, a vacinação alcança 36,44% das crianças e 24,55% dos idosos.
Embora a vacina contra influenza não proteja contra todos os vírus respiratórios em circulação — como o VSR e o rinovírus — ela reduz significativamente o risco de complicações causadas pelos vírus influenza, diminui as hospitalizações e evita a sobrecarga dos serviços de saúde. Por isso, a Sesacre reforça a importância da imunização, especialmente para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, além da adoção de medidas preventivas, como higiene frequente das mãos, etiqueta respiratória e uso de máscara por pessoas com sintomas respiratórios.








