Rio Branco, 19 de agosto de 2026.

Construção_1200x200px (2)

Rio Branco lidera inflação entre capitais em julho, mas acumula uma das menores altas do ano 

Rio Branco teve inflação de 0,32% em julho – Foto Marcos Vicentti

Rio Branco registrou em julho a maior inflação entre as 16 capitais e regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da capital acreana ficou em 0,32%, bem acima da média nacional, de 0,07%, e da média das cidades pesquisadas, de apenas 0,01%.

O Relatório Mensal de Inflação – Acre, elaborado pelo Sistema de Monitoramento da Inflação (SMI), do Programa de Educação Tutorial (PET) Economia da Universidade Federal do Acre (UFAC), coordenado pelo economista Rubicleis Silva, explica os números.

De acordo com o estudo, o resultado de julho chama atenção porque ocorreu na contramão do comportamento nacional. Enquanto a inflação brasileira desacelerou de 0,16% em junho para 0,07% em julho, Rio Branco passou de 0,29% para 0,32%.

De janeiro a julho, Rio Branco registra 2,98%, o segundo menor índice entre as 16 capitais e regiões metropolitanas pesquisadas, atrás apenas de Curitiba, com 2,62%. O resultado também está abaixo da inflação acumulada no país, de 3,44%.

Em 12 meses, Rio Branco acumula 4,23%, enquanto o índice nacional está em 4,44%. O relatório destaca que o resultado de julho, portanto, ainda não altera a trajetória de preços mais contida que a capital vinha apresentando ao longo de 2026.

Energia e passagens aéreas puxam a alta

A maior pressão sobre os preços em julho veio do grupo Habitação, que teve alta de 1,52% e impacto de 0,19 ponto percentual no IPCA. Dentro dele, a energia elétrica residencial foi o item que mais pesou individualmente, com impacto de 0,16 ponto percentual. A outra principal pressão veio dos Transportes, que passaram de uma queda de 0,28% em junho para uma alta de 0,45% em julho.

O movimento foi provocado principalmente pelas passagens aéreas. Depois de terem registrado queda de 4,69% em junho, elas subiram 12,57% em julho, gerando impacto de 0,11 ponto percentual na inflação da capital.

O conserto de automóveis também contribuiu, com impacto de 0,07 ponto percentual. No conjunto, Habitação e Transportes responderam por 94% da inflação registrada em Rio Branco no mês.

Alimentos tiveram comportamento diferente

O relatório mostra que o grupo Alimentação e bebidas registrou queda de 0,12% em julho, depois de uma alta de 0,60% em junho. Alguns produtos, no entanto, tiveram variações expressivas. O limão subiu 16,16% e a cebola, 11,37%, enquanto o frango inteiro teve alta de 3,55%. Por outro lado, o tomate caiu 9,09%, o mamão recuou 8,35% e o abacate, 8,10%.

Entre os itens que ajudaram a conter a inflação, o destaque foi o acém, que teve o maior impacto negativo individual da cesta, de 0,19 ponto percentual. Automóveis usados, contrafilé e motocicletas também contribuíram para reduzir a pressão sobre o índice.

Outro indicador apresentado pelo estudo ajuda a dimensionar o comportamento da inflação em julho. O Índice de Difusão da Inflação (IDI) caiu de 55,8% em junho para 51,7% em julho, registrando a terceira queda consecutiva desde o pico de 67,8% alcançado em abril.

Segundo a análise, o resultado indica que a alta de julho ficou concentrada em poucos itens de maior peso, especialmente energia elétrica residencial e passagens aéreas, enquanto uma parcela significativa dos produtos pesquisados permaneceu estável ou apresentou redução de preços.

Mesmo com essa concentração, o estudo recomenda atenção para os próximos meses. Depois de 11 meses consecutivos em terreno negativo, o núcleo de inflação por média aparada passou de -0,67% para 0,74% em julho, maior salto de toda a série.

Compartilhe em suas redes

quem ama vacina