Rio Branco, 22 de agosto de 2026.

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Acre registra queda de 40% no número de feminicídios entre janeiro e julho deste ano

Redução no Acre, comparada ao ano passado, é uma das maiores do país – Foto reprodução

O Brasil registrou 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, contra 876 no mesmo período de 2025. O resultado representa uma redução de 3,2%. Os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), consolidados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), integram o monitoramento das ações desenvolvidas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo Ministério das Mulheres, em articulação com os estados e demais órgãos envolvidos no enfrentamento à violência contra as mulheres.

Segundo a pesquisa, na análise por estados, 14 unidades da Federação apresentaram redução no número de vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. Duas permaneceram estáveis e 11 tiveram aumento. O estado do Acre está entre as maiores reduções percentuais com queda de 40% dos casos, o que equivale ao mesmo resultado de Roraima.

Dentre os estados com maior redução também estão Rondônia, com queda de 64,7%; Piauí, com 57,1%; Maranhão, com 42,4%; e Distrito Federal, com 31,3%.

Em números absolutos, alguns dos resultados também se destacam. O Piauí passou de 28 para 12 vítimas; Minas Gerais, de 93 para 79; Pernambuco, de 57 para 45; e Maranhão, de 33 para 19.

Para o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a redução acumulada é um sinal importante, mas os números ainda exigem uma atuação permanente e articulada do poder público.

“Estamos chegando a julho com uma redução nos feminicídios e com uma trajetória de queda da média móvel nos últimos meses. São 28 mulheres que deixaram de entrar nessa estatística em comparação com o mesmo período do ano passado. É um resultado importante, mas ainda muito distante do que queremos. Não existe número aceitável de feminicídios. Por isso, precisamos continuar ampliando a prevenção, a proteção às mulheres e a responsabilização dos agressores, com União, estados e municípios trabalhando de forma integrada”, afirmou.

Média móvel no Brasil

Segundo a pesquisa, no Brasil a média móvel de feminicídios atingiu seu maior patamar recente em março, com 141,8 vítimas, e passou a apresentar redução nos quatro meses seguintes, chegando a 119,8 em julho. Na comparação com o pico registrado em março, a queda é de 15,5%.

Entre janeiro e julho, três das cinco regiões brasileiras registraram redução em relação ao mesmo período de 2025. A maior queda ocorreu no Nordeste, que passou de 257 para 220 vítimas, uma redução de 14,4%. No Sudeste, os registros passaram de 317 para 302, queda de 4,7%. Já no Norte, houve redução de 85 para 84 vítimas, equivalente a 1,2%.

No sentido contrário, o Sul passou de 121 para 139 vítimas, alta de 14,9%, enquanto o Centro-Oeste registrou aumento de 96 para 103, equivalente a 7,3%.

Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio

O enfrentamento à violência contra as mulheres também ganhou uma frente de articulação nacional com o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, acordo interinstitucional assinado pelos Três Poderes da República em fevereiro de 2026.

O Pacto busca articular ações de prevenção à violência contra mulheres e meninas, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores, reconhecendo que o enfrentamento ao feminicídio exige atuação conjunta de diferentes instituições e políticas públicas.

No âmbito do Governo Federal, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério das Mulheres atuam de forma articulada nessa agenda, envolvendo ações de segurança pública, prevenção, proteção, produção e acompanhamento de dados e fortalecimento da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres.

Atuação integrada das forças de segurança

Na segurança pública, uma das frentes de atuação é a Operação Mulher Segura, coordenada nacionalmente pela Senasp em parceria com as forças de segurança das unidades da Federação.

Consideradas as duas fases realizadas em 2026, a operação já contabiliza 34.400 prisões, entre flagrantes e cumprimento de mandados judiciais.

As ações também somam mais de 150 mil atendimentos a vítimas e mais de 95 mil acompanhamentos de Medidas Protetivas de Urgência (MPUs). Na primeira fase, foram 38.801 vítimas atendidas e 30.388 MPUs acompanhadas.

A operação reúne ações de prevenção, acompanhamento de mulheres com medidas protetivas, atendimento às vítimas, visitas preventivas, cumprimento de mandados e prisões em flagrante.

A segunda fase permanece em andamento e os resultados seguem sendo atualizados pelas Secretarias de Segurança Pública dos estados e do Distrito Federal. A estratégia busca fortalecer uma atuação permanente e conjunta entre as forças de segurança, combinando prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos autores de violência, especialmente nos casos que apresentam risco de escalada para formas mais graves de violência contra a mulher.

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