Rio Branco, 30 de agosto de 2026.

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Pronto-Socorro com urgência

Pronto-Socorro é a maior unidade de urgência e emergência do Acre – Foto cedida

Na última sexta-feira, dia 28, meu telefone tocou por volta das 11 horas. Era minha cunhada Regina, esposa do meu irmão Raul. Ela ligou para dizer que Raul havia sofrido um acidente e que o Samu o tinha levado para o Pronto-Socorro (PS).

Eu, de pronto, mais que depressa, segui para lá. Afinal, além de ter sofrido um acidente e ter sido socorrido pelo Samu, meu irmão é deficiente físico — Raul tem uma perna que não dobra e foi justamente nela o impacto.

Entrei pela porta da emergência feito uma bala e, lá dentro, por um segundo, esqueci do Raul.

Olhei ao redor e vi um verdadeiro hospital de guerra: várias macas ao longo dos corredores do PS com gente doente, alguns agonizando; outros pacientes em cadeiras de rodas; muita gente escorada nas paredes e as atendentes, em sua maioria terceirizadas, tentavam, do jeito delas, atender, acolher, organizar e dar vazão àquela loucura chamada emergência médica.

Os profissionais de saúde atendiam um paciente, mas já mantinham os olhos no próximo. De repente, uma mulher desmaiou na minha frente. Fiquei imóvel, sem saber o que fazer, olhando aquela senhora cair como um saco de batatas.

A médica que atendia uma fratura exposta largou o paciente no meio do procedimento para socorrer a mulher. Alguém correu, providenciou uma maca e ela foi medicada. Depois, voltou a aguardar atendimento, como todos os outros.

Em seguida, outro senhor, que tinha de tudo, menos saúde, começou a passar mal. Foi mais um “Deus nos acuda”. E eu ali, em pé, olhando meu irmão sentado numa cadeira de rodas, cheio de dores.

Enfim, todo mundo precisava de atendimento médico. E, graças a Deus, a população acreana corre para o Pronto-Socorro quando precisa. No meio do caos, quase sempre aparece um caminho para a resolução.

Em meio à sobrecarga, à falta de espaço e à urgência de cada caso, os profissionais de saúde seguem fazendo o que podem e, muitas vezes, muito mais do que podem… Por isso, estão de parabéns.

Contudo, é impossível não observar que algo precisa ser feito de forma macro e definitiva para que a nossa população não sofra, além da doença, com a falta de estrutura, de profissionais e de tudo mais que o atendimento de saúde pública necessita.

Não sei exatamente qual é a solução, mas tenho uma certeza e isso, nem é uma crítica, é uma constatação simples e prática: o atual Pronto-Socorro não tem mais capacidade de atender à demanda de pacientes. A verdade incontestável é que o PS não consegue atender todos os que o procuram com a rapidez desejada e necessária. E reitero, não é uma questão de atendimento ruim por parte dos profissionais, é o fato de que a infraestrutura atual simplesmente esgotou seu limite operacional.

Em tempo: meu irmão Raul está bem, em casa, recuperando-se da pancada na perna e no quadril, sob os cuidados da esposa, Regina. No fim das contas, entre o susto, a dor e a confusão, ficou também a certeza de que, quando acontece um acidente, há sempre alguém na emergência do Pronto-Socorro tentando abrir caminho para cuidar de quem precisa.

Fredson Camargo é jornalista, publicitário, estrategista político e diretor-geral do Portal Acre.

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