
A Academia Acreana de Letras (AAL) concluiu no último sábado (19) uma etapa importante do processo de reorganização e ampliação de seu quadro. A instituição, que até então era composta por 40 cadeiras previstas em seu Estatuto, passou a contar oficialmente com 60 cadeiras após a reforma estatutária realizada em janeiro deste ano. Para constituir as 20 novas cadeiras, foram escolhidos seus respectivos patronos e patronas.
A mudança, porém, não significa que a AAL esteja incorporando agora 20 novos acadêmicos. O processo tem origem em uma reorganização interna iniciada em 2022 e envolve a regularização de cadeiras que, durante alguns anos, tiveram caráter transitório.
Segundo o atual presidente da AAL, José Dourado de Souza, professor, pesquisador e escritor, em 2022, por diferentes razões, entre elas faltas e o não pagamento de anuidades, alguns integrantes do quadro efetivo e permanente foram remanejados para outras categorias da instituição, como os quadros de eméritos e especial. Naquele momento, outras pessoas passaram a ocupar as cadeiras anteriormente vinculadas a esses membros.
Com a mudança de gestão, em março de 2023, uma Assembleia Geral realizada em agosto daquele ano decidiu devolver as cadeiras aos integrantes que haviam sido remanejados. Para evitar que uma mesma cadeira passasse a ter mais de um ocupante, a Academia criou então um quadro de cadeiras transitórias, numeradas inicialmente de 41 a 57. Essas cadeiras permaneceriam nessa condição até que alguma das 40 cadeiras originais da instituição fosse desocupada.
Reforma do Estatuto mudou o cenário
A situação foi alterada em janeiro de 2026, quando a Academia Acreana de Letras reformulou seu Estatuto e ampliou oficialmente o número de cadeiras de 40 para 60. Com a criação das 20 novas cadeiras, a maior parte delas será destinada aos próprios integrantes que estavam vinculados às cadeiras transitórias.
“Das 20 cadeiras criadas pelo novo estatuto, 17 serão ocupadas por estes membros que ocupavam as cadeiras transitórias”, explica José Dourado.
Além disso, um dos integrantes das 40 cadeiras originais solicitou seu desligamento da Academia. Com isso, segundo o presidente, serão quatro cadeiras que efetivamente ficarão disponíveis para novos integrantes.
A escolha desses futuros acadêmicos, entretanto, não ocorrerá neste momento. De acordo com Dourado, o preenchimento das quatro cadeiras está previsto para 2027, por meio de editais específicos para cada uma delas. Será nesses processos que a AAL selecionará os novos integrantes que passarão a ocupar as cadeiras que estiverem efetivamente vagas.
Escolha dos patronos foi etapa necessária
Antes disso, porém, era necessário constituir formalmente as novas cadeiras de 41 a 60, o que envolvia a definição dos respectivos patronos e patronas. Foi esse processo que chegou à etapa final no último sábado, quando os integrantes da Academia escolheram seis nomes entre 11 candidatos externos. Outros 14 nomes, provenientes do próprio quadro da AAL, foram homologados sem necessidade de votação porque não havia concorrência para as vagas destinadas a essa categoria.
Ao todo, portanto, foram definidos 20 patronos e patronas para representar historicamente as novas cadeiras. Entre os seis nomes escolhidos na votação externa estão o padre Paolino Maria Baldassari, Raimunda Euri Gomes Figueiredo, Antonio Dourado de Souza, Rodolfo Bader Filho, Dom Moacyr Grechi e José Benedito Ferreira (Cacique Bené).
Os 14 nomes homologados entre os integrantes internos são Adonay Barbosa dos Santos, Florentina Esteves, Francisco Gregório da Silva Filho, Garibaldi Carneiro Brasil, Hélio Holanda Melo, Jorge Araken Faria da Silva, José Augusto de Araújo, José Carneiro de Lima (Padre), José Potyguara da Frota e Silva, Josué Fernandes de Souza, Leandro Tocantins, Mario Maia, Mauro d’Ávila Modesto da Costa e Raimunda Migueis Passos (Terezinha Migueis).
Patrono e acadêmico são papéis diferentes
A distinção é importante para compreender o que aconteceu no último sábado. Os patronos não são os novos acadêmicos que ingressaram na AAL. Na estrutura das academias de letras, o patrono é uma personalidade já falecida, escolhida para representar historicamente determinada cadeira. Já o ocupante da cadeira é o acadêmico titular, escolhido em processo próprio quando houver uma vaga disponível.
No caso da AAL, portanto, a escolha dos 20 patronos e patronas conclui a etapa de definição das referências históricas das cadeiras 41 a 60. Ela não corresponde à eleição de 20 novos “imortais”. Agora, conforme explica o presidente José Dourado, a Academia deverá vincular os patronos escolhidos às respectivas cadeiras. Somente depois será realizado o processo de seleção dos candidatos às quatro cadeiras que estarão efetivamente disponíveis em 2027.








