Passadas as eleições de 2026, uma pergunta inevitavelmente começa a ganhar espaço no debate político de Sena Madureira: afinal, quem realmente saiu derrotado das urnas? O prefeito Gerlen Diniz? O ex-prefeito Mazinho Serafim? Ou o próprio município? A resposta talvez não esteja apenas nos números individuais de cada candidato.
Há quatro anos, nas eleições de 2022, Sena Madureira viveu um momento de protagonismo na política acreana ao conseguir eleger dois nomes diretamente ligados ao município para a Câmara dos Deputados: Meire Serafim e Gerlen Diniz.
Naquela eleição, Meire conquistou 21.285 votos, enquanto Gerlen recebeu 19.560. Os dois passaram a ocupar duas das oito cadeiras destinadas ao Acre na Câmara Federal.
O cenário começou a mudar em 2024, quando Gerlen disputou e venceu a eleição para a Prefeitura de Sena Madureira. Para assumir o Executivo municipal, renunciou ao mandato de deputado federal em 1º de janeiro de 2025. Com isso, Zé Adriano, primeiro suplente do Progressistas, foi efetivado na Câmara dos Deputados.
Meire Serafim permaneceu no mandato, mantendo Sena Madureira com uma representante diretamente ligada ao município em Brasília. Em 2026, porém, o cenário foi diferente.
Dois projetos políticos com forte ligação com Sena Madureira tiveram representantes na disputa por uma cadeira de deputado federal. De um lado, Manoel Gerônimo, candidato apoiado pelo grupo político do atual prefeito Gerlen Diniz. Do outro, o ex-prefeito Mazinho Serafim, esposo da deputada federal Meire Serafim e uma das principais lideranças políticas do município nas últimas décadas.
As urnas deram uma resposta que nenhum dos dois grupos desejava: nem Manoel Gerônimo nem Mazinho Serafim conseguiram conquistar uma das oito cadeiras do Acre na Câmara dos Deputados.
Manoel Gerônimo terminou a disputa com 18.386 votos em todo o estado, sendo 9.011 somente em Sena Madureira, mas ficou na suplência. Mazinho Serafim recebeu 13.142 votos e também não conseguiu se eleger.
Politicamente, portanto, existem derrotas dos dois lados.
Para Gerlen Diniz, o resultado representa um revés político. Atual prefeito e uma das principais lideranças do município, ele não conseguiu transformar a força de seu grupo em uma cadeira na Câmara Federal. A eleição de Manoel Gerônimo ampliaria significativamente o espaço político do grupo e garantiria um aliado diretamente ligado à atual administração municipal em Brasília.
Para Mazinho Serafim, a derrota também possui um peso considerável. Depois de administrar Sena Madureira por dois mandatos consecutivos e exercer forte influência na política local, o ex-prefeito colocou o próprio nome nas urnas na tentativa de chegar à Câmara Federal, mas não conseguiu repetir o êxito eleitoral alcançado por Meire Serafim quatro anos antes.
Mas existe um terceiro personagem nessa história. E talvez seja justamente aquele que tenha sofrido a maior perda: Sena Madureira.
Em 2022, o município saiu das urnas com dois deputados federais diretamente ligados à cidade. Quatro anos depois, termina a eleição sem conseguir eleger nenhum nome de sua base política para a próxima legislatura da Câmara dos Deputados. Independentemente de preferência partidária, esse é um resultado que merece reflexão.
Ter representantes diretamente ligados ao município não significa que apenas eles possam destinar recursos ou defender os interesses de Sena Madureira. Deputados eleitos por outras regiões também podem e devem trabalhar pelo município.
Entretanto, é inegável o peso político de possuir um parlamentar cuja principal base eleitoral, história e atuação estejam diretamente relacionadas à cidade. É uma voz a mais para apresentar demandas, articular recursos e colocar os problemas locais no centro das discussões estaduais e nacionais.
Por isso, resumir o resultado das eleições a uma simples disputa para saber se Gerlen derrotou Mazinho ou se Mazinho derrotou Gerlen seria diminuir a dimensão política do que aconteceu.
Os dois grupos mediram forças nas urnas. Gerlen colocou à prova sua capacidade de transferir votos e não conseguiu eleger Manoel Gerônimo. Mazinho colocou o próprio nome à disposição do eleitorado e também não conseguiu chegar à Câmara Federal.
Cada grupo certamente fará sua própria avaliação. Haverá argumentos, justificativas, comparações de votação e diferentes interpretações sobre quem saiu maior ou menor politicamente dessas eleições. Mas existe uma conta que não pertence apenas a Gerlen ou a Mazinho. Ela pertence a Sena Madureira.
Em 2022, eram dois deputados federais eleitos diretamente ligados ao município. Em 2026, nenhum. Talvez, portanto, a pergunta que abre este artigo tenha uma resposta que vá além dos dois principais grupos políticos locais.
Gerlen perdeu a oportunidade de ampliar sua força política em Brasília. Mazinho perdeu a oportunidade de chegar à Câmara Federal e manter o espaço político ocupado nos últimos quatro anos por Meire Serafim. Sena Madureira, por sua vez, perdeu representatividade direta na Câmara dos Deputados.
E, entre todas as derrotas deixadas pelas urnas de 2026, essa talvez seja a que mais deveria preocupar o município.
Henrique Nery é sena-madureirense e jornalista do Portal Acre.








