
O custo dos produtos essenciais comprometeu quase 45% do salário-mínimo de um trabalhador em Rio Branco e Cruzeiro do Sul em setembro de 2026. Levantamento da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan) aponta que a soma das cestas básicas de alimentação, limpeza doméstica e higiene pessoal alcançou R$ 724,59 na capital e R$ 727,73 no município do Juruá, considerando a remuneração mensal de R$ 1.621.
Em Cruzeiro do Sul, as três cestas representaram 44,9% do salário-mínimo. Em Rio Branco, a participação foi de 44,7%. Embora a diferença entre os municípios seja pequena, os dados mostram o peso das despesas essenciais no orçamento de quem recebe o piso nacional.
A alimentação foi o principal componente desse custo. Na capital, a cesta alimentar chegou a R$ 609,80, com aumento de 4,35% em relação a agosto. Em Cruzeiro do Sul, o valor ficou em R$ 604,96, alta de 3,73% no mesmo intervalo.
Os relatórios da Seplan mostram que a elevação dos preços dos alimentos ocorreu mesmo com reduções em parte dos produtos pesquisados. O tomate foi o principal destaque de alta nas duas cidades, com variação mensal de 30,36% em Rio Branco e 17,04% em Cruzeiro do Sul.
Tomate pressiona o custo da alimentação
Na capital, o preço médio do tomate passou de R$ 83,02 para R$ 108,23 na quantidade considerada pela pesquisa, de nove quilos. A diferença de R$ 25,21 contribuiu para elevar o custo total da cesta alimentar.
Em Cruzeiro do Sul, a variação do tomate também foi a mais expressiva entre os 14 produtos pesquisados. A mandioca teve a segunda maior alta, de 12,30%, seguida pela banana, com 5,69%. O arroz subiu 3,68% no município.
Em Rio Branco, além do tomate, os aumentos mais relevantes foram registrados na farinha de mandioca, com 6,47%, e no arroz, com 5,75%. A farinha passou de R$ 18,83 para R$ 20,05 na quantidade de três quilos prevista na cesta.
Nem todos os alimentos ficaram mais caros. Na capital, a banana apresentou queda de 3,03%, a mandioca recuou 2,18% e o café teve redução de 1,92%. Em Cruzeiro do Sul, o café caiu 4,93%, o açúcar teve redução de 3,60% e o feijão ficou 1,79% mais barato.
Limpeza e higiene têm aumentos menores
As outras duas cestas pesquisadas tiveram variações mais moderadas em setembro.
Em Rio Branco, a cesta de limpeza doméstica custou R$ 88,75, alta de 0,31% em relação a agosto. A de higiene pessoal ficou em R$ 26,04, com aumento de 0,28%.
Em Cruzeiro do Sul, a cesta de limpeza doméstica chegou a R$ 94,76, aumento de 0,25%, enquanto a de higiene pessoal custou R$ 28,01, alta de 0,28%.
A diferença entre os municípios também aparece na composição dos gastos: Cruzeiro do Sul teve custos mais elevados nas cestas de limpeza e higiene, enquanto Rio Branco registrou o maior valor para a cesta alimentar. No total, o conjunto das três cestas ficou R$ 3,14 mais caro no município do Juruá.
Trabalhador precisa dedicar mais de 98 horas às três cestas
O peso das despesas também pode ser medido pelo tempo de trabalho necessário para comprar os produtos. Em setembro, um trabalhador remunerado com um salário-mínimo precisou dedicar aproximadamente 98 horas e 20 minutos para adquirir as três cestas em Rio Branco. Em Cruzeiro do Sul, foram 98 horas e 46 minutos.
Na capital, a jornada necessária aumentou três horas e 29 minutos em comparação com agosto. No município do Juruá, o acréscimo foi de três horas e 32 minutos.
Os relatórios também estimam o custo mensal das três cestas para uma família padrão formada por dois adultos e três crianças, considerando que cada criança consome metade da provisão de um adulto. O valor chegou a R$ 2.536,05 em Rio Branco e R$ 2.547,06 em Cruzeiro do Sul.








