A família de Hadassa, mulher trans vítima de uma violenta agressão no último domingo (25), dia do segundo turno das eleições, no Acre, se pronunciou publicamente sobre o caso e relatou momentos de desespero diante da gravidade dos ferimentos. Segundo os familiares, a vítima sofreu fraturas no maxilar, no nariz e lesões nos ouvidos, ficando com o rosto desfigurado.
Em um desabafo emocionado divulgado nas redes sociais, um familiar de Hadassa relatou o sofrimento dos pais ao acompanharem a filha no hospital e criticou a forma como o caso foi abordado por parte da imprensa local, além de comentários considerados preconceituosos nas redes sociais.
“No dia 25, eu quase perdi minha irmã, no dia da eleição, onde estava um clima muito pesado. Pessoas prometendo tocar o terror, muitas ameaças. Minha família viveu um pesadelo real. Vocês já se perguntaram, pelo menos pararam para pensar como é que tá meu pai, como é que tá minha mãe?”, questionou.
De acordo com o relato, Hadassa sofreu ferimentos graves na região do rosto. O familiar afirmou que os pais enfrentam um momento de profundo sofrimento diante do estado de saúde da filha.
“Tá sendo muito difícil para eles ver a filha deles no hospital com o rosto literalmente desfigurado. Minha mãe, meu pai, tá sentindo uma dor que não tem tamanho. Não importa lado político, se foi briga, se foi desavença no trabalho, nada justifica uma crueldade dessa”, declarou.
O familiar também condenou a violência sofrida pela vítima, ressaltando que nenhuma circunstância poderia justificar a gravidade das agressões.
“Quebraram o maxilar, o nariz, o ouvido dela. Literalmente acabaram com a minha irmã. Ninguém tem o direito de machucar e torturar uma pessoa até esse ponto”, afirmou.
Família contesta informações divulgadas sobre o caso
Além de relatar o sofrimento enfrentado pela família, o familiar questionou informações publicadas pela imprensa local, especialmente sobre o acionamento da polícia e um suposto depoimento prestado pela vítima.
Segundo ele, diferentemente do que teria sido divulgado, a polícia foi acionada, e a família possui registros das ligações realizadas.
“Disseram que não foi chamada a polícia. Mentira, porque a gente tem prova, a gente tem as ligações. Falaram até que a vítima conversou, sendo que minha irmã não tinha condições de falar ali. Conversaram com a amiga dela. Por que que a imprensa não veio atrás de nós, os familiares que tava lá no momento?”, questionou.
A família também denunciou o uso de pronomes masculinos para se referir a Hadassa em uma das reportagens sobre o episódio. Para os familiares, a situação demonstra falta de respeito à identidade de gênero da vítima.
As alegações sobre o acionamento policial e o suposto depoimento ainda precisam ser confrontadas com os registros oficiais e com as informações dos órgãos responsáveis pela investigação.
Familiar critica preconceito e uso político da agressão
Outro ponto destacado no pronunciamento foi a repercussão do caso nas redes sociais. Segundo o familiar, comentários ofensivos, manifestações preconceituosas e discussões políticas têm ampliado o sofrimento da família.
“Gente nas redes sociais fazendo politicagem, rindo da nossa dor. E se um dia eu pudesse ajudar um parente, sua mãe, seu pai, seu irmão, e em vez disso eu fizesse uma arminha ou um L com a mão? Não tem político no mundo que cure a falta de amor ao próximo”, desabafou.
O familiar também chamou a atenção para a violência enfrentada pela população trans no Brasil, destacando a vulnerabilidade de travestis e mulheres transexuais diante de crimes violentos e manifestações de preconceito.
Apesar da gravidade das agressões, a família informou que Hadassa sobreviveu. O pronunciamento terminou com um pedido de justiça e uma reflexão sobre a violência.
“E graças a Deus, hoje a minha irmã está viva por um milagre, mas amanhã pode ser eu, pode ser você, pode ser um familiar seu. E a gente não vai se calar. E até quando isso?”, concluiu.
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