Rio Branco, 28 de outubro de 2026.

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Notificações de violência autoprovocada atingem recorde no Acre; mulheres são maioria dos registros

O Acre contabilizou quase 1.500 casos de violência autoprovocada no ano passado – Foto reprodução

O Acre registrou 1.459 notificações de violência autoprovocada em 2025, o maior número da série histórica iniciada em 2019. O total representa um crescimento de 20,1% em relação ao ano anterior e de 74,3% na comparação com o primeiro ano do levantamento. Os dados constam no boletim Vigilância da Violência Autoprovocada e Mortalidade por Suicídio no Acre – 2019 a 2025, da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), divulgado nesta quarta-feira, 28, que também aponta diferenças entre os perfis das pessoas notificadas e das vítimas de suicídio, além de uma concentração dos registros em Rio Branco.

Em 2019, foram contabilizadas 837 notificações. O número caiu para 591 em 2020, mas voltou a crescer nos anos seguintes: foram 854 em 2021, 921 em 2022, 1.080 em 2023, 1.215 em 2024 e, finalmente, 1.459 em 2025. A sequência mostra uma elevação contínua desde 2021, embora o aumento dos registros não signifique, necessariamente, que os episódios tenham crescido na mesma proporção.

A Sesacre ressalta que a quantidade de notificações também pode ser influenciada pela capacidade dos serviços de saúde de identificar e registrar essas situações. Por isso, a evolução dos números precisa ser interpretada considerando possíveis mudanças na vigilância e na qualidade das informações.

Mulheres são maioria nas notificações, mas homens concentram os óbitos

Um dos contrastes apontados pelo boletim está na distribuição por sexo. Entre as notificações de violência autoprovocada, as mulheres representam 70,4% dos registros, enquanto os homens correspondem a 29,5%. No levantamento das mortes por suicídio, a proporção se inverte: 77,6% dos óbitos foram de homens e 22,3%, de mulheres.

Os dados reforçam a importância de analisar separadamente as ocorrências notificadas e as mortes. Os dois indicadores retratam situações diferentes e, isoladamente, não explicam os fatores que levam a essa diferença entre os perfis registrados.

Entre 2019 e 2025, o Acre contabilizou 643 mortes por suicídio. Em 2025, foram 117 óbitos, contra 111 em 2024, um aumento de 5,4%. O maior número anual do período foi registrado em 2023, quando houve 118 mortes. Desde aquele ano, o estado contabiliza mais de 100 óbitos anuais.

As notificações de violência autoprovocada são registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), enquanto os óbitos são contabilizados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Além disso, a categoria violência autoprovocada abrange lesões provocadas pela própria pessoa com ou sem intenção suicida. Portanto, o total de notificações não corresponde exclusivamente a tentativas de suicídio.

Rio Branco concentra 72% dos registros

A distribuição territorial também chama a atenção. Rio Branco concentra 72% das notificações de violência autoprovocada incluídas no boletim. Cruzeiro do Sul aparece em seguida, com 9,6%, enquanto Brasiléia responde por 4% dos registros.

Os percentuais indicam uma concentração das notificações na capital, mas precisam ser interpretados conforme o critério utilizado no levantamento: os dados se referem ao município de notificação, que não corresponde necessariamente ao local de residência da pessoa. Assim, os números não permitem concluir, por si só, que a mesma proporção dos episódios ocorreu entre moradores de cada município.

O boletim destaca a necessidade de fortalecer a vigilância, a identificação dos casos e o acolhimento das pessoas em situação de vulnerabilidade. Também aponta a importância da articulação entre os serviços de atenção primária, saúde mental e urgência e emergência, além da continuidade do acompanhamento e da preservação do sigilo.

A evolução das notificações e a persistência de mais de uma centena de mortes anuais evidenciam a relevância do tema para a saúde pública no Acre. Para a Sesacre, a qualificação dos registros e a organização da rede de atendimento são medidas importantes para orientar ações de prevenção e assistência.

Atendimento

Pessoas em sofrimento emocional podem procurar uma unidade de saúde ou um Centro de Atendimento Psicossocial — CAPS. O Centro de Valorização da vida — CVV —oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia. Em situação de emergência, a orientação é procurar atendimento imediato ou acionar o SAMU pelo 192.

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