Rio Branco, 31 de outubro de 2026.

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Castanheira permanece entre as espécies vulneráveis à extinção; Acre produziu 7,2 mil toneladas em 2025

Castanha lidera extrativismo no Acre com 7,1 mil toneladas e Xapuri no topo da produção municipal – Imagem gerada por IA

Uma das espécies mais importantes para o extrativismo e a economia florestal do Acre continua classificada como vulnerável à extinção no Brasil. A castanheira ( Bertholletia excelsa ), conhecida pela produção da castanha-do-pará ou castanha do brasil, permanece na lista nacional de espécies ameaçadas, atualizada nesta semana pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

A nova relação, publicada pela Portaria GM/MMA nº 1.783, de 26 de outubro de 2026, reúne 3.730 espécies da flora brasileira avaliadas pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Desse total, 838 foram classificadas como vulneráveis, categoria na qual a castanheira permanece desde 1992.

A classificação indica que a espécie enfrenta risco elevado de extinção na natureza. A avaliação considera fatores como tamanho e redução das populações, distribuição geográfica, fragmentação dos ambientes e ameaças à sobrevivência. Entre os fatores que podem comprometer as espécies estão o desmatamento, os incêndios florestais, a exploração ilegal e a degradação dos ambientes naturais.

A atualização da lista também classificou 2.162 espécies como em perigo e 730 como criticamente em perigo. Duas espécies da Mata Atlântica foram incluídas na última categoria com a indicação de possivelmente extintas, condição que ainda exige novas buscas em campo para verificar se existem populações remanescentes.

Castanha movimentou R$ 65,8 milhões no Acre

Enquanto a castanheira permanece sob classificação de vulnerabilidade, a atividade extrativista mantém importância econômica no Acre. Dados da Pesquisa da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), do IBGE, mostram que o estado produziu 7.192 toneladas de castanha-do-pará em 2025, com valor de produção estimado em R$ 65,85 milhões.

O resultado coloca a castanha entre os principais produtos do extrativismo vegetal acreano. No conjunto da atividade, ela respondeu por aproximadamente 54,2% do valor gerado pela extração vegetal no estado, que alcançou cerca de R$ 121,4 milhões no ano passado.

No recorte municipal, Xapuri aparece como o maior produtor acreano em valor de produção, com R$ 13,65 milhões. Brasiléia vem em seguida, com R$ 11,36 milhões, enquanto Rio Branco registrou R$ 11,17 milhões e Sena Madureira, R$ 11,04 milhões.

Os números mostram a importância da castanha para a economia de municípios que mantêm atividades extrativistas associadas à floresta. A coleta também representa uma fonte de renda para famílias que dependem dos produtos florestais.

Conservação e atividade econômica

A permanência da castanheira na lista de espécies vulneráveis chama atenção para a necessidade de conciliar a exploração econômica da castanha com a conservação das populações naturais e dos ambientes onde a espécie ocorre.

A classificação nacional, entretanto, não significa que a produção esteja necessariamente em queda no Acre. O volume registrado pelo IBGE mede a quantidade extraída e comercializada, enquanto a avaliação de risco considera as condições de conservação da espécie em seu ambiente natural.

A atualização da lista funciona como instrumento para orientar políticas públicas, ações de conservação, recuperação de áreas e medidas de proteção da biodiversidade. Para a castanheira, a manutenção de florestas conservadas e o acompanhamento das populações naturais são aspectos importantes para a continuidade da espécie e da atividade extrativista.

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