Rio Branco, 8 de novembro de 2026.

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Estudo revela dificuldades de acesso ao diagnóstico e desconhecimento sobre leishmaniose no Acre

Se não tratata, leishmaniose pode deixar sequelas – Foto reprodução

A distância entre comunidades rurais e unidades de saúde, a dependência do transporte fluvial e a falta de informações sobre a doença estão entre os obstáculos enfrentados por moradores de áreas endêmicas do Acre no combate a uma doença classificada pelo Ministério da Saúde como negligenciada. Em boletim epidemiológico, o órgão também destaca que o Brasil está entre os países com maior número de casos de leishmaniose cutânea.

Apesar de atingir milhares de brasileiros todos os anos, a leishmaniose tegumentar (LT) — termo médico mais abrangente para a infecção que atinge a pele e as mucosas — permanece entre as doenças tropicais negligenciadas, associadas historicamente à pobreza, à desigualdade no acesso à saúde e à insuficiência de ações de prevenção e controle.

Um estudo realizado em Sena Madureira, publicado em maio deste ano, na revista científica Acervo Saúde, identificou limitações no conhecimento de pacientes e profissionais de saúde, além de dificuldades que podem comprometer o diagnóstico e o início do tratamento. O levantamento ouviu 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 profissionais que atuam na área de saúde, entre agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.

Entre os pacientes entrevistados, 96% apresentaram conhecimento insuficiente sobre a doença, evidenciando dificuldades de informação mesmo entre pessoas que procuraram atendimento por suspeita de infecção.

As barreiras geográficas também apareceram entre os principais problemas identificados. Segundo a pesquisa, 46% dos participantes dependiam de transporte fluvial para chegar aos serviços de saúde, enquanto 16% precisavam enfrentar deslocamentos que poderiam durar de um a três dias.

Além disso, 48% relataram depender da hospedagem na casa de conhecidos durante o atendimento, indicando os custos e as dificuldades adicionais enfrentados por quem vive em localidades mais isoladas.

O levantamento também identificou lacunas na preparação dos profissionais que atuam diretamente nas comunidades. Embora 59% dos agentes tenham apresentado conhecimento satisfatório sobre aspectos gerais da doença, 96% demonstraram conhecimento insuficiente sobre sinais, sintomas e tratamento. Outros 80% desconheciam o programa de controle da leishmaniose, enquanto 78% informaram não ter participado de capacitações sobre o assunto.

Para os pesquisadores, os resultados demonstram a necessidade de ampliar as ações de educação em saúde, fortalecer a preparação das equipes e melhorar as condições de atendimento nas áreas rurais. A identificação precoce dos casos é considerada fundamental para evitar o agravamento das lesões e reduzir as dificuldades enfrentadas pelos pacientes durante o tratamento.

Doença tem forte presença no Acre

A leishmaniose tegumentar é uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos pela picada de fêmeas infectadas de insetos conhecidos popularmente como mosquito-palha. A forma cutânea, uma das manifestações da enfermidade, provoca lesões na pele que podem evoluir para feridas de difícil cicatrização. A doença não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra.

O problema tem relevância epidemiológica no Acre. Segundo informações divulgadas pela Universidade Federal do Acre (Ufac), o estado acumulou mais de 11 mil notificações da doença na última década, enquanto a Região Norte concentra mais da metade dos registros brasileiros.

Em 2025, cinco municípios acreanos foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para a transmissão: Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasiléia.

A pesquisa integra um projeto coordenado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com participação da Ufac, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de Brasília, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre).

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