Rio Branco, 13 de fevereiro de 2026.

Sem fronteiras 4

Raimundão rebate boatos que o acusam de ser contra a construção da Ponte da Sibéria

Raimundão, o filho e o neto ao lado de uma seringueira na Reserva Extrativista Chico Mendes: Foto acervo pessoal

Em manifestações, o ativista e o filho Rogério reforçam compromisso com o desenvolvimento responsável

Às vésperas da inauguração da Ponte da Sibéria, ocorrida neste domingo, 23, um tema antigo, mas nunca esclarecido publicamente, voltou à tona em Xapuri: os boatos de que o seringueiro e ativista ambiental histórico Raimundo Mendes de Barros, o Raimundão — primo e um dos maiores herdeiros do legado de Chico Mendes — teria sido contra a construção da ponte.

As alegações circularam de maneira difusa ao longo dos últimos anos, sempre sem assinatura, comprovação ou declaração pública, mas ganharam corpo na cidade à medida que a obra avançava. Os rumores se deviam ao posicionamento político de Barros, uma das figuras históricas mais representativas da esquerda e do movimento social no Acre.

Agora, pela primeira vez, a família se manifesta oficialmente sobre o assunto. Primeiramente, em uma publicação na rede social Facebook, Rogério Barros, filho de Raimundão e também militante do movimento ambiental, rompeu o silêncio para esclarecer o que chama de uma distorção que afetou injustamente o legado de seu pai. Segundo ele, não existe posição contrária da família à construção da Ponte da Sibéria.

“Desde o início da idealização da ponte de Xapuri, muita gente comentou que a família do Chico Mendes e do Raimundão era contra. Mas, na verdade, o que sempre existiu foi um cuidado profundo com a nossa terra, com o nosso povo e com a floresta que sustenta tantas vidas”, escreveu.

A publicação afirma que a família recebe com alegria a conclusão de uma obra que representa um sonho antigo das famílias da Sibéria e de toda Xapuri, e que a ponte é um marco histórico que traz melhorias para o transporte, para a produção e para o dia a dia de todos.

Rogério reforça que o compromisso da família com o desenvolvimento que respeite a vida na floresta, especialmente porque o acesso pela ponte leva diretamente à Reserva Extrativista Chico Mendes, foi ao longo do tempo interpretado de forma equivocada.

“O que sempre ressaltamos é que por trás de uma estrutura tão grande precisa existir também um projeto de proteção, de desenvolvimento social e de cuidado ambiental”, enfatizou.

O filho de Raimundão reforçou a preocupação de que o avanço trazido pela ponte não deixe para trás justamente aqueles que historicamente enfrentaram os maiores desafios: os moradores do bairro Sibéria e das comunidades da reserva.

“Por isso, nossa felicidade pela ponte vir acompanhada também de um pedido: que o Bairro Sibéria e todas as comunidades dali para dentro da reserva sejam olhadas com carinho e prioridade. Que sejam desenvolvidos projetos que fortaleçam essas famílias, que protejam o território e que garantam que a ponte seja uma porta de oportunidades, e não uma ameaça futura para quem vive da floresta”, reforçou.

Para Raimundão a luta de Chico Mendes contribuiu com a ponte

Após a publicação da manifestação de Rogério Barros, o próprio Raimundão também decidiu se pronunciar. Ao ser procurado para comentar o posicionamento do filho, ele reafirmou que nunca foi contrário à ponte e destacou que a própria possibilidade de existir uma obra desse porte está diretamente ligada à luta que manteve viva a população da área rural e dos seringais ao longo das últimas décadas.

“Em várias conversas nas redes sociais e nas reuniões da comunidade eu já disse que essa ponte só existe porque houve uma luta para garantir que o nosso povo permanecesse aqui. Se a resistência não tivesse acontecido, essa região hoje seria um vazio de famílias. O latifúndio tinha tomado conta de tudo”, afirmou.

Raimundão lembrou que muitas áreas do Acre onde não houve mobilização social foram devastadas por queimadas e pela exploração predatória. Segundo ele, se não houvesse Reserva Extrativista e os povos que permaneceram nelas, não haveria ponte.

“Eu considero a ponte uma obra importante, muito útil. Mas ela só tem sentido porque a população ficou, resistiu e continua aqui, vivendo da floresta. Tem gente que ignora isso, gente que hoje é beneficiada por essa mesma luta, mas se coloca contra. Contudo, seguimos firmes”, completou.

As declarações de Rogério e Raimundão estabelecem uma posição oficial contra os boatos disseminados de que havia por parte da família de Raimundão uma oposição ao progresso que a ponte representa e reafirmam a posição de defesa de que os avanços venham acompanhados de responsabilidade ambiental e social, como pedem há décadas.

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