Rio Branco, 18 de fevereiro de 2026.

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Acre lidera taxa proporcional de feminicídios no Brasil em 2025

O Brasil atingiu, em 2025, o maior número de feminicídios desde que o crime passou a ser tipificado em lei. Foram 1.470 mulheres assassinadas pelo fato de serem mulheres ao longo do ano, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, uma média de quatro mortes por dia. O total supera o recorde anterior, de 1.464 casos em 2024, e consolida uma alta de 316% em relação a 2015, quando o feminicídio foi incorporado ao Código Penal.

Nesse cenário nacional alarmante, o Acre aparece de forma paradoxal nas estatísticas: figura entre os estados com menor número absoluto de casos, mas lidera o ranking quando o critério é proporcional à população.

No Acre, plataforma do Ministério Público monitora casos de feminicídio e atos de violência contra meninas e mulheres. Foto: Captura de tela

Ao longo da última década, o Acre registrou 14 feminicídios, um dos menores totais do país, ao lado de Roraima (7) e Amapá (9). Em termos absolutos, o contraste com estados mais populosos é evidente: São Paulo acumulou 1.774 casos no período, Minas Gerais 1.641 e Rio Grande do Sul 1.019. Esses números refletem, em grande medida, o peso demográfico dessas unidades da federação.

Quando a análise se volta para a taxa de feminicídios por 100 mil habitantes, porém, o quadro se inverte. O Acre lidera o país com índice de 1,58, à frente de Rondônia (1,43) e Mato Grosso (1,36). Na outra ponta estão Amazonas (0,46), Ceará e São Paulo (ambos com 0,51). A comparação revela que, proporcionalmente, o risco de uma mulher ser vítima de feminicídio no Acre é significativamente maior do que em estados com números absolutos muito superiores.

Em reportagem do portal G1 SP, especialistas alertam que esses dados ainda podem estar subestimados. A diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, ressalta que nem todos os assassinatos de mulheres com indícios de crime de gênero são registrados oficialmente como feminicídio. Em alguns estados, esse tipo de crime representa entre 40% e 60% das mortes femininas; em outros, varia de 15% a 20%, o que indica diferenças na forma de registro e investigação.

Além disso, pesquisas recentes apontam aumento generalizado de outras violências contra mulheres, como perseguições, espancamentos e estrangulamentos, que muitas vezes antecedem o feminicídio. “Mesmo quando falamos em recorde, estamos diante de números que provavelmente são maiores do que conseguimos mensurar”, afirma a especialista.

O avanço dos casos levou a mudanças na legislação. Em outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que elevou a pena para feminicídio, fixando punições entre 20 e 40 anos de prisão, com agravantes quando o crime envolve gravidez, crianças, idosos ou ocorre na presença de familiares.

Os dados nacionais mostram uma tragédia persistente e crescente. Já o recorte do Acre evidencia que, embora o estado registre poucos casos em números absolutos, a violência letal contra mulheres tem impacto proporcionalmente mais severo, reforçando a necessidade de políticas públicas específicas, prevenção e fortalecimento das redes de proteção em realidades de menor população, mas alta vulnerabilidade.

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