Rio Branco, 18 de fevereiro de 2026.

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Acre pode integrar fronteira de empregos verdes gerados pela restauração florestal no Brasil

Governo indica que 165,7 hectares já estão em recuperação por meio de Sistemas Agroflorestais – Foto: reprodução

O Acre surge no contexto atual como uma das unidades federativas que já iniciaram a estruturação de uma política estadual de restauração florestal, sendo citado no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg 2025–2028) como referência no avanço da governança ambiental. O documento destaca o Decreto nº 11.373, de 28 de novembro de 2023, que institui o Comitê Técnico responsável pela elaboração do Plano Estadual de Recuperação da Vegetação Nativa do Acre (PEVEG), reforçando o alinhamento do estado com a meta brasileira.

Esse cenário se desenha dentro de uma previsão de que o Brasil pode gerar entre 1 e 2,5 milhões de empregos diretos até 2030 a partir da restauração ecológica. A meta nacional de recuperação prevista pelo Planaveg é de 12 milhões de hectares. A estimativa considera que cada 100 hectares restaurados têm potencial para empregar, em média, 42 trabalhadores, sobretudo em áreas rurais, na coleta de sementes, manutenção de viveiros, preparo de solo, implantação de sistemas agroflorestais e atividades de monitoramento ambiental.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Acre (Sema) também é mencionada como uma das instituições participantes da construção coletiva do Planaveg, demonstrando o protagonismo regional na agenda. Esse movimento coloca o estado na trilha dos setores emergentes da economia verde, com potencial de captar investimentos nacionais e internacionais.

Dados apresentados pelo governo estadual indicam que 165,7 hectares já estão em recuperação por meio de Sistemas Agroflorestais (SAFS) implantados em propriedades familiares. A iniciativa integra ações de regularização ambiental e recomposição florestal, aliando produção de alimentos, renda e restauração de solos degradados.

Ao todo, são 12 modelos de SAFs disponíveis, com apoio do Programa REM Acre Fase II e do Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL). Os cultivos envolvem espécies como açaí, café, seringueira, banana, milho, feijão e macaxeira, com fornecimento de mudas pelo Viveiro da Floresta, em Rio Branco, além de monitoramento técnico e assistência contínua aos produtores.

Durante a COP-30, o secretário de Estado de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, destacou que o Acre tem se dedicado a fomentar alternativas sustentáveis e produtivas, capazes de recuperar áreas degradadas e, ao mesmo tempo, gerar novas oportunidades econômicas para as comunidades locais.

“O ASL tem contribuído de forma decisiva, seja no suporte ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), seja no fortalecimento das equipes e da estrutura do nosso viveiro da floresta. Não basta apenas reduzir o desmatamento — precisamos avançar fortemente na restauração”, destacou.

Na mesma ocasião, a diretora técnica da Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac), Suelem Farias, enfatizou o grande potencial do estado para avançar na restauração em larga escala e destacou que o governo tem atuado para identificar onde essas iniciativas estão e de que forma podem ser apoiadas.

“Entramos nas comunidades mostrando como elas podem ganhar recursos mantendo a floresta em pé. Se o produtor tem uma área degradada, mas também possui uma palmeira ou espécies que pode coletar, mostramos como isso pode gerar renda. Nosso trabalho é ajudar a identificar alternativas de vida, mostrar que recuperar pode ser vantajoso para o presente e para o futuro”, afirmou.

O Programa de Recuperação Ambiental (PRA-Acre) incorporou oficialmente os SAFs como método de recomposição florestal, o que fortalece o setor produtivo e habilita agricultores a acessar mercados diferenciados e políticas de incentivo vinculadas ao desenvolvimento rural sustentável.

Empregos verdes e oportunidades futuras

Com 59% das áreas de restauração obrigatória concentradas na Amazônia, o Acre se insere em uma região estratégica para a geração de empregos verdes, especialmente em territórios rurais e comunidades tradicionais. A expectativa é que a consolidação do PEVEG permita ao estado disputar recursos da transição ecológica, acessar instrumentos financeiros como fundos climáticos, PSA e créditos de carbono, além de ampliar a inclusão produtiva de agricultores familiares, povos indígenas e assentados da reforma agrária.

O desafio, segundo especialistas, está em superar entraves normativos e ampliar segurança jurídica para investimentos privados, consolidando o setor de restauração como parte estruturante do desenvolvimento amazônico.

Se bem implementado, o avanço do Acre na agenda de restauração florestal pode transformar a recuperação da vegetação nativa em vetor de desenvolvimento territorial, combinando empregos, renda, segurança alimentar e conservação ambiental — um caminho estratégico diante das mudanças climáticas e das transformações globais da economia verde.

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