
Chegou o tão aguardado feriadão de Carnaval. Enquanto metade do Brasil escolhe a fantasia e aquece os tamborins, existe um grupo silencioso, estratégico e ligeiramente exausto: o trabalhador CLT.
Ele não está planejando bloquinho, camarote ou maratona de glitter. Seu plano para o Carnaval é muito mais ousado — quase revolucionário: dormir sem despertador.
Sim, porque quando alguém grita “Ô abre alas!”, a gente completa mentalmente: “…que eu vou passar direto pro sofá!”. E olha que nem é falta de animação (talvez seja um pouquinho). É estratégia. É planejamento tático. É o famoso modo economia de energia humana ativado com sucesso.
Porque depois de meses respondendo “só mais uma coisinha rapidinho” às 17h58 de sexta-feira, o que a gente quer mesmo é viver o maior bloquinho de todos: o Bloco do Silêncio e Descanso.
E não é sobre ser antissocial. É sobre preservar o pouco de sanidade que restou depois de três reuniões que poderiam ter sido um e-mail — e dois e-mails que poderiam ter sido absolutamente nada.
Carnaval pra uns é folia. Pro CLT é feriado estratégico. É o momento de sumir do grupo da família, arquivar o grupo do trabalho e fingir que o único compromisso inadiável é virar de lado no sofá.
Porque o verdadeiro abadá do trabalhador é o pijama. E o único trio elétrico que importa é ventilador, geladeira e televisão funcionando em harmonia.
E se alguém perguntar: “Vai fazer o quê no Carnaval?”. A resposta é simples, direta e cheia de propósito: Nada.
Afinal de contas, o Carnaval é plural. Democrático. Ele abraça quem quer pular e quem quer pausar. Quem quer purpurina até na alma e quem quer paz no modo avião. Quem quer trio elétrico e quem quer trilha sonora de passarinho — ou, melhor ainda, o som glorioso do próprio silêncio.
No fim das contas, o importante é voltar na quarta-feira com uma boa história. Seja sobre aquele bloco épico que virou lenda (e talvez um leve arrependimento), seja sobre o cochilo tão profundo que você acordou desorientado, jurando que já era quinta-feira e que o feriado tinha sido um delírio coletivo.
Então, seja você do time “me chama que eu vou” ou do “nem vem que eu tô fora”, aproveite o feriadão do seu jeito. Com glitter até no pé ou com um travesseiro estrategicamente afundado na cabeça.
Porque no Carnaval, meus amigos, o importante é ser feliz — nem que seja deitado, celebrando o maior bloquinho de todos: o Bloco do Descanso Sem Culpa. Bom Carnaval!
Lane Valle é fonoaudióloga, jornalista e colaboradora do Portal Acre.








