Rio Branco, 13 de julho de 2026.

Campanha Prefeitura Trabalha pra Gente

32ª Semana Justiça pela Paz em Casa é lançada no Acre com ações contra violência

Com 140 audiências e um júri de feminicídio pautados, iniciativa reforça a resposta do Judiciário acreano diante do aumento da violência contra mulheres no estado

O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) realizou na manhã desta segunda-feira, 9, a abertura da 32ª edição da Semana Justiça pela Paz em Casa, iniciativa que mobiliza magistradas, magistrados e toda a rede de proteção para acelerar julgamentos e fortalecer o enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. A solenidade também marcou o lançamento da cartilha “Vozes que Transformam – Uma vida sem violência é direito de toda família”, um material especial voltado à conscientização e prevenção.

Foto: Ascom/TJAC

Realizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com os tribunais de justiça de todo o país, a campanha ocorre três vezes ao ano e integra a Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. Durante a semana, o Judiciário prioriza processos relacionados à violência de gênero, com a realização de audiências, julgamentos e ações educativas.

A edição de 2026 ganha um significado ainda mais simbólico por ocorrer logo após o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, reforçando que o mês é também um período de mobilização e reflexão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres, especialmente diante da persistência da violência de gênero.

No Acre, a programação desta edição prevê cerca de 140 audiências e um júri popular de feminicídio, além de atividades educativas, reuniões de alinhamento com a rede de proteção e capacitações sobre violência doméstica em diversas comarcas do estado.

Prioridade no enfrentamento à violência
Durante a semana, magistradas e magistrados de todas as comarcas do estado irão priorizar a tramitação de processos relacionados à violência doméstica, com a emissão de sentenças, despachos e decisões e, sempre que possível, a realização de audiências.

A iniciativa busca agilizar o andamento das ações judiciais, garantir respostas mais rápidas às vítimas e ampliar a visibilidade do problema, estimulando a sociedade a reconhecer e denunciar situações de violência.

Foto: Ascom/TJAC

Além das atividades judiciais, a programação inclui ações de sensibilização e diálogo com a comunidade, reforçando a importância do trabalho conjunto entre Judiciário, instituições públicas e sociedade civil no enfrentamento à violência contra a mulher.

A vice-presidente do TJAC, Regina Ferrari, ressaltou que “a Semana Justiça pela Paz em Casa simboliza o compromisso permanente do Judiciário com a proteção das mulheres e com a resposta rápida aos crimes de violência doméstica”.

Para a magistrada, o direito é resultado de uma luta cotidiana e coletiva, e o sistema de justiça precisa estar preparado para responder com eficiência aos casos que chegam ao Judiciário.

Ela também destacou a importância da prevenção e do acesso aos canais de apoio existentes, como o Centro de Atendimento à Vítima, a Ouvidoria da Mulher e as delegacias especializadas, reforçando que a rede de proteção está disponível para acolher mulheres antes mesmo que a violência evolua para situações mais graves.

“Queremos demonstrar à sociedade que o Poder Judiciário está ativo e comprometido em dar respostas rápidas aos casos de violência. Mais do que julgar, buscamos fortalecer a confiança da comunidade e estimular a prevenção”, afirmou.

A resposta do Judiciário
A juíza auxiliar da Presidência e coordenadora estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar, Louise Santana, destacou que a edição deste ano carrega um simbolismo especial por ocorrer logo após o Dia Internacional da Mulher e em um contexto que exige ainda mais atenção das instituições públicas.

Segundo ela, dados de 2025 apontaram o Acre como o estado com maior índice de feminicídios do país, com 14 casos registrados, número superior aos oito casos contabilizados em 2024.

Foto: Ascom/TJAC

“São 14 mulheres, 14 vidas interrompidas, 14 histórias que não puderam continuar. Cada uma dessas mortes não representa apenas uma estatística, mas uma tragédia que nos convoca a fortalecer cada vez mais as políticas públicas de prevenção, proteção e conscientização”, afirmou.

Apesar do cenário preocupante, a magistrada ressaltou avanços importantes do Judiciário acreano na resposta institucional ao problema. Atualmente, o estado possui o menor tempo médio do país na análise de medidas protetivas de urgência, com 0,71 dia, garantindo rapidez na proteção às vítimas.

Outro resultado destacado foi o tempo de julgamento das ações penais relacionadas à violência doméstica: enquanto o Conselho Nacional de Justiça estabelece meta de 400 dias, o Tribunal de Justiça do Acre tem conseguido concluir esses processos em média de 224 dias.

Para a semana da mobilização, estão previstas 140 audiências e um júri de feminicídio na comarca de Feijó, além de atividades na capital e no interior, especialmente no Vale do Juruá, incluindo as comarcas de Rodrigues Alves, Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul.

A magistrada ressaltou ainda que 80% das mulheres vítimas de feminicídio em 2025 não possuíam medidas protetivas, o que evidencia a necessidade de ampliar o alcance da rede de proteção. “São mulheres que não estavam no sistema de justiça e não estavam sendo acompanhadas pela rede. Precisamos fortalecer a busca ativa e ampliar a prevenção”, alertou.

Vozes que Transformam
Durante a solenidade de abertura da 32ª Semana Justiça pela Paz em Casa, o Tribunal de Justiça do Acre também realizou o lançamento da cartilha Vozes que Transformam, publicação educativa que reúne textos produzidos por estudantes participantes do programa Conscientização pela Paz no Lar. A obra apresenta redações vencedoras de um concurso promovido em 2025 e busca ampliar o debate sobre a violência doméstica a partir da perspectiva de jovens que participaram de palestras educativas sobre a Lei Maria da Penha e os direitos das mulheres.

Foto: Ascom/TJAC

Nesta primeira edição, os textos refletem sobre a importância histórica da legislação — que completará 20 anos em 2026 — e abordam as causas estruturais da violência contra a mulher, como o machismo, a cultura patriarcal e as desigualdades sociais. As produções também destacam os desafios enfrentados por muitas vítimas para denunciar os agressores, como a dependência financeira, o medo e a falta de apoio familiar ou institucional, além dos impactos psicológicos provocados pela violência.

Ao abrir mais uma edição da campanha, o Tribunal de Justiça do Acre reafirma seu compromisso de transformar dados em ação, garantir proteção às vítimas e fortalecer uma cultura de respeito e igualdade, para que cada vez mais mulheres possam viver com dignidade, segurança e liberdade.

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