Rio Branco, 1 de maio de 2026.

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No Dia da Mulher, levantamento faz alerta: perfil das cidades do Acre coincide com cenário nacional de feminicídios

Cidades pequenas registram número alto de feminicídios – Foto Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, os dados sobre violência de gênero no Brasil reforçam que a data também deve ser um momento de reflexão. Um levantamento nacional citado em reportagem da Folha de São Paulo mostra que metade dos feminicídios registrados no país ocorre em cidades com até 100 mil habitantes, justamente onde a rede de proteção às mulheres é mais limitada.

A realidade tem relação direta com o Acre. Dos 22 municípios do estado, apenas Rio Branco possui população superior a 100 mil habitantes, o que significa que praticamente todo o território acreano se enquadra no perfil identificado pelo estudo: cidades pequenas ou médias, com menor presença de serviços especializados de atendimento às vítimas.

Acre tem maior taxa de feminicídio do país

Os dados mais recentes revelam um cenário ainda mais preocupante. Somente em 2025, o Acre registrou 14 casos de feminicídio, número que iguala as marcas históricas registradas em 2016 e 2018.

Em termos proporcionais, o estado aparece na liderança nacional da violência letal contra mulheres. Enquanto a taxa brasileira foi de 1,43 feminicídio por 100 mil mulheres, no Acre o índice chegou a 3,2, o mais alto do país.

Na sequência aparecem Rondônia (2,9), Mato Grosso (2,7) e Mato Grosso do Sul (2,6). Na outra ponta do ranking estão Amazonas (0,9), Ceará (1,0) e São Paulo (1,1).

Em todo o Brasil, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde que o crime foi tipificado na legislação brasileira, em 2015, mais de 13 mil mulheres foram assassinadas por razões de gênero, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Crime nasce dentro de casa

Os números mostram também um padrão recorrente: na maioria dos casos o agressor é alguém próximo da vítima — companheiro, marido, ex-namorado, pai, filho ou outro homem do círculo familiar.

O feminicídio, portanto, quase sempre é o desfecho extremo de um histórico de violência doméstica que pode incluir agressões psicológicas, físicas, sexuais, morais ou patrimoniais.

Desafio maior em cidades pequenas

Outro fator que agrava o problema é a limitação da rede de atendimento nas cidades menores. Segundo o levantamento citado pela Folha, apenas 5% dos municípios brasileiros com até 100 mil habitantes possuem Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), e somente 3% contam com casas-abrigo para vítimas em risco.

Em estados como o Acre, onde a maioria das cidades tem população reduzida e grandes distâncias geográficas, essa realidade pode dificultar denúncias e o acesso a proteção.

Mais que estatística, uma questão estrutural

Os números revelam não apenas falhas institucionais, mas também um problema estrutural. A violência contra a mulher está profundamente ligada a uma cultura histórica de machismo e desigualdade de gênero, que ainda se manifesta de forma extrema em casos de feminicídio.

No Dia Internacional da Mulher, especialistas lembram que a solução passa por políticas públicas, fortalecimento da rede de proteção e mudança cultural. Mais do que cobrar que mulheres “escolham melhor” seus parceiros, o debate precisa enfrentar a raiz do problema: homens que ainda acreditam ter poder sobre a vida das mulheres.

Onde buscar ajuda

Em situações de violência ou ameaça, é fundamental procurar ajuda imediatamente.

Polícia Militar: ligue 190 em caso de emergência

Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180, serviço gratuito disponível 24 horas

Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM): localizada na Via Chico Mendes, em Rio Branco, atende vítimas de violência doméstica

Neste 8 de março, os dados lembram que celebrar as conquistas das mulheres também significa reconhecer os desafios que ainda persistem — e agir para que nenhuma mulher tenha sua vida interrompida pela violência.

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