Rio Branco, 29 de abril de 2026.

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Nossos jovens estão doentes: Pesquisa divulgada pelo IBGE traz alerta preocupante na saúde mental de adolescentes

Pesquisa revela que 73% dos adolescentes se sentem tristes de forma constante – Foto reprodução

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam para um cenário preocupante em relação à saúde mental de adolescentes no Brasil. O levantamento indica que três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe).

A pesquisa ouviu quase 120 mil estudantes de escolas públicas e privadas de todo o Brasil. De acordo com o IBGE, uma parcela significativa de adolescentes brasileiros relata sofrimento emocional recorrente, o que reforça a necessidade de atenção por parte de famílias, escolas e do poder público.

Ainda segundo os dados divulgados, fatores como pressão social, uso excessivo de telas, dificuldades no ambiente escolar e questões familiares estão associados ao agravamento da saúde mental nessa faixa etária.

O levantamento também mostra que muitos adolescentes enfrentam dificuldades para acessar atendimento psicológico ou psiquiátrico, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento adequado.

O IBGE destaca a importância de ampliar ações de prevenção, fortalecer redes de apoio e garantir acesso a serviços de saúde mental para adolescentes em todo o país.

Autoagressões

A partir da amostra, o IBGE calculou que cerca de 100 mil estudantes brasileiros tiveram alguma lesão autoprovocada nos 12 meses anteriores à pesquisa, o que equivale a 4,7% de todos que sofreram algum acidente ou lesão no período analisado.

Entre eles, todos os indicadores são consideravelmente mais altos:

•             73% se sentem tristes de forma constante;

•             67,6% ficam irritados ou nervosos por qualquer razão;

•             62% não veem sentido na vida;

•             69,2% já sofreram bullying.

As meninas também apresentam maior proporção de lesões autoprovocadas. Entre aquelas que sofreram algum ferimento, 6,8% se machucaram de propósito, contra 3% entre os meninos. 

“A criação de políticas públicas que contemplem essas diferenças entre os sexos é importante e urgente, para que as mulheres do país possam manter seu bem-estar e sua capacidade inegável de contribuição para a economia, para a sociedade e para o Estado brasileiro”, defendem os pesquisadores.

Imagem corporal

O nível de satisfação com a própria imagem corporal caiu para todos os estudantes desde a última edição da pesquisa, em 2019, de 66,5% para 58%. A situação é pior entre as alunas.

Mais de um terço delas se disse insatisfeita com a própria aparência, contra menos de um quinto dos meninos.

Além disso, apesar de 21% das alunas se considerarem gordas ou muito gordas, mais de 31% revelaram que estavam tentando perder peso. Ambas as proporções foram maiores entre o gênero feminino.

Onde buscar ajuda

Adolescentes e seus responsáveis ou quaisquer pessoas com pensamentos e sentimentos de querer acabar com a própria vida devem buscar acolhimento em sua rede de apoio, como familiares, amigos, educadores e também em serviços de saúde.

Procurar ajuda e conversar com alguém é importante nos momentos de tristeza na juventude – Foto cedida

De acordo com o Ministério da Saúde, é muito importante conversar com alguém de confiança e não hesitar em pedir ajuda, inclusive para buscar serviços de saúde.

Serviços de saúde que podem ser procurados para atendimento:

•             Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde);

•             UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais;

•             Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).

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