Rio Branco, 20 de julho de 2026.

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Renda domiciliar per capita do Acre foi uma das menores do país em 2025, aponta IBGE

Renda per capita do Acre foi mil reais a menos que a média nacional – Foto reprodução

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a renda domiciliar per capita no Acre chegou a R$ 1.392 em 2025. O valor está quase R$ 1 mil abaixo da média nacional, que é de R$ 2.316.

O estado aparece entre os três piores resultados do país, à frente apenas do Ceará (R$ 1.390) e do Maranhão (R$ 1.219). No outro extremo estão Rio Grande do Sul (R$ 2.839), São Paulo (R$ 2.956) e o Distrito Federal (R$ 4.538).

O levantamento é feito pela PNAD Contínua, pesquisa que acompanha, ao longo do ano, dados sobre trabalho e rendimento da população brasileira.

O que é renda domiciliar per capita?

Segundo o economista Rubicleis Gomes, renda domiciliar per capita é a soma de todos os rendimentos da casa dividida pelo número de moradores.

“Se a renda total do domicílio é de R$ 10 mil e moram cinco pessoas, a renda domiciliar per capita é de R$ 2 mil por pessoa. Esse número indica o valor médio do rendimento das pessoas que moram no domicílio”, explica.

No cálculo entram rendimentos de trabalho e outras fontes, como aposentadorias e benefícios sociais.

Por que o Acre está abaixo da média?

Para o economista, o resultado não é surpresa:

“O fato da renda domiciliar per capita do Acre ser bem abaixo da média do Brasil não é novidade. Todos os anos, quando sai o levantamento da PNAD, esse número se confirma”, afirma.

Ele destaca que o estado possui cerca de 800 mil habitantes e aproximadamente 130 mil pessoas recebem o Bolsa Família.

“Se você tirar o Bolsa Família do rendimento dessas pessoas, a renda domiciliar per capita no Acre seria menor ainda”, pontua.

O dado revela uma forte dependência de programas de transferência de renda e uma estrutura econômica ainda limitada, com menor dinamismo e menor geração de empregos de alta remuneração.

Impacto na qualidade de vida

Rubicleis Gomes explica que a renda domiciliar per capita é também um indicador de desenvolvimento:

“Quanto maior a renda domiciliar per capita, maior é o nível de desenvolvimento de um município ou de um estado. Rendas mais altas significam padrão de consumo mais elevado. As pessoas podem se alimentar melhor, investir melhor”, destaca.

Isso significa que o baixo rendimento médio influencia diretamente a qualidade de vida da população, afetando acesso a serviços, consumo e capacidade de poupança.

Ainda segundo o economista, embora o Produto Interno Bruto (PIB) do Acre apresente crescimento nos últimos anos, o economista avalia que esse avanço ainda não está sendo distribuído de forma ampla.

“Muito embora o PIB acreano esteja crescendo, a gente não está conseguindo espalhar esse crescimento para todos os agentes da economia. O Acre cresce, mas ainda cresce de uma forma concentrada. É preciso distribuir riqueza”, afirma.

Para ele, o desafio está em ampliar oportunidades, fortalecer setores produtivos e garantir que o crescimento econômico se traduza em geração de renda para um número maior de famílias.

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