
Os dados mais recentes do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), indicam que a Amazônia iniciou 2026 consolidando uma tendência de queda no desmatamento, com reflexos diretos no Acre. Mesmo assim, o estado continua figurando entre aqueles com maior área derrubada no acumulado recente, evidenciando um cenário de redução, mas ainda sob forte pressão.
Após a queda de 38% no desmatamento em janeiro de 2026, quando a área devastada passou de 133 km² para 83 km², os dados de fevereiro foram de 119 km² para 69 km², reforçando a continuidade desse movimento de desaceleração, ainda que com oscilações típicas do período chuvoso na maior parte da Amazônia.
No recorte mais amplo — de agosto de 2025 a fevereiro de 2026 — o desmatamento acumulado na Amazônia Legal somou 1.264 km², uma redução de 41% em relação ao mesmo período anterior, consolidando o menor patamar para o semestre em sete anos.
Dentro desse cenário, o Acre aparece entre os três estados com maior área desmatada no período recente, ao lado de Pará e Amazonas. No entanto, o dado mais relevante está na tendência: o estado reduziu o desmatamento de 280 km² para 190 km², uma queda de 32%.
Isso significa que o Acre permanece entre os maiores em termos absolutos, mas acompanha a trajetória de redução observada na maior parte da Amazônia. O estado passou a ocupar uma posição de destaque não por aumento da devastação, mas porque outros estados historicamente críticos, como Mato Grosso, apresentaram reduções ainda mais acentuadas.
Mesmo com a queda percentual, o Acre continua apresentando pontos críticos. O município de Feijó segue como principal foco, com 42,86 km² desmatados no semestre, figurando entre os mais impactados de toda a Amazônia. Também aparecem como áreas de pressão: Tarauacá (31,79 km²) e Rio Branco (25,83 km²).
Degradação
Se no desmatamento o Acre acompanha a tendência de queda, o mesmo não ocorre com a degradação florestal. O estado registrou aumento de 50% no acumulado recente, passando de 72 km² para 108 km². O Acre, junto com Roraima, foi um dos poucos estados a apresentar crescimento nesse indicador, enquanto a Amazônia como um todo registrou queda expressiva na degradação, influenciada principalmente pela redução dos incêndios após o pico observado em 2024.
Análise
O cenário geral da Amazônia em 2026 é de avanço no controle do desmatamento, com quedas sucessivas e indicadores que apontam para o menor nível de devastação em anos recentes. A tendência reforça o caminho rumo à meta de desmatamento zero até 2030. No entanto, no caso do Acre, os dados mostram um quadro mais complexo: há redução consistente nos índices, mas o estado ainda mantém volume absoluto elevado, e apresenta aumento em indicadores complementares, como a degradação.








