Rio Branco, 20 de abril de 2026.

sem fronteiras 3

O valor do simples em um mundo de excessos

Em meio ao barulho constante do mundo moderno, é fácil se perder. Somos diariamente empurrados para uma corrida que, muitas vezes, nem sabemos por que começamos. Poder, dinheiro, status — palavras que brilham como promessas de felicidade, mas que, no fundo, raramente preenchem os vazios mais profundos da alma.

Vivemos tempos curiosos — e, ao mesmo tempo, inquietantes. Nunca tivemos tanto acesso, tantas possibilidades, tanta informação. Ainda assim, algo parece faltar. Há uma sensação sutil, quase constante, de vazio existencial. Como se, no meio de tantas conquistas, tivéssemos nos afastado de algo essencial. Talvez seja porque, aos poucos, fomos mudando a forma como enxergamos a vida.

Nos acostumamos a medir tudo: sucesso, felicidade, importância. E quase sempre usamos como régua aquilo que é visível — bens, status, reconhecimento. Enquanto corremos atrás de metas cada vez mais distantes, deixamos de perceber o que já está ao nosso alcance. Ignoramos a beleza do cotidiano, negligenciamos relações, abafamos emoções. E, aos poucos, vamos nos tornando estranhos à nossa própria existência.

Mas, no fundo, talvez não seja de mais coisas que precisamos — e sim de mais sentido. E esse resgate não pede grandes rupturas nem mudanças radicais. Não exige abandonar tudo ou reinventar a vida por completo. Ele começa, na verdade, em algo mais sutil: uma mudança de percepção.

Perceber que o tempo vivido com presença tem mais valor do que qualquer acúmulo de conquistas. Que relações verdadeiras são mais essenciais do que as aparências que sustentamos. E que estar em paz consigo mesmo é, talvez, uma das formas mais silenciosas e mais profundas de riqueza.

Valorizar o simples não é retroceder — é amadurecer. É compreender que a vida não precisa ser extraordinária o tempo todo para ser significativa. É reconhecer que o verdadeiro luxo não está no excesso, mas na paz de espírito, na leveza dos dias e na capacidade de estar, de fato, presente.

Em um mundo que insiste em pedir mais, escolher o suficiente é um ato de coragem. E talvez seja justamente nessa escolha mais consciente, mais humana que a gente reencontra aquilo que nunca deveria ter se perdido: o sentido de viver.

Lane Valle é fonoaudióloga, jornalista e colaboradora do Portal Acre.

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