Rio Branco, 16 de abril de 2026.

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Pais de alunos Dom Bosco reclamam de falta de ônibus escolar; após contato do Portal Acre, serviço volta a ser oferecido

Conforme os pais, problema com o transporte tem prejudicado desenvolvimento das crianças

Maria Mariana Mota (estagiária), sob supervisão de Leônidas Badaró

Há pelo menos um mês, alunos com deficiência atendidos pelo Centro Educacional Especializado Dom Bosco, em Rio Branco, enfrentam uma rotina de ausência do transporte pelo ônibus escolar. O transporte escolar é um direito garantido e essencial para o acesso à educação e aos atendimentos especializados.

O serviço deveria ser realizado por dois ônibus, mas, segundo os pais, está apresentando falhas constantes. Segundo relatos de familiares, os veículos permanecem frequentemente parados com a justificativa de estarem “na oficina”, mas sempre com respostas vagas, sem comunicação oficial e sem previsão de retorno. A situação aconteceu no ano passado e, segundo familiares, demorou para ser retomada.

As famílias, muitas vezes, dependem exclusivamente do transporte escolar, de modo que a interrupção do serviço impacta profundamente a vida e rotina de todos. Maria Aguina, mãe de um aluno de 13 anos, conta que o filho, com paralisia cerebral, havia iniciado recentemente um processo de comunicação com o uso de tablet acompanhado por fonoaudióloga. Com a interrupção das atividades, houve retrocesso. “Foi a primeira vez que ele estava se comunicando. Agora parou tudo, vamos ter que começar do zero”, lamenta.

Muitas famílias não têm condições de arcar com outra alternativa de transporte. “A gente não tem dinheiro para pagar aplicativo e a escola é muito longe. Não tem ônibus de linha que deixe perto”, desabafa Maria.

Para mães de crianças menores, como é o caso de Wendercleia Teixeira, mãe de uma criança de 5 anos,  o impacto no desenvolvimento é imediato, “minha filha está em fase de crescimento, tudo o que ela perde agora faz diferença, sem transporte ela deixa de se desenvolver”, relata.

Há ainda casos extremos, como o que ocorre com o aluno Gabriel Domingos, de 29 anos. Estudante, Pessoa com Deficiência (PcD), passou a percorrer cerca de 14 quilômetros de bicicleta diariamente para chegar à escola. “Ele está arriscando a vida”, denunciam familiares.

A presidente da Associação Família Azul do Acre, Heloneida Gama, também recebeu as denúncias dos pais, formalizou junto ao Ministério Público do Acre e aguarda providências. Segundo ela, a situação é muito grave. “São pessoas vulneráveis, muitas vezes, o Dom Bosco é único espaço de convivência, alimentação e desenvolvimento. Sem isso, elas ficam em casa, ociosas, sem perspectiva”, afirma.

Outro ponto levantado pelas famílias é a rigidez na organização das rotas. Segundo relatos, quando um ônibus quebra, seria possível remanejar equipes para atender mais de uma rota, ainda que com atraso. No entanto, alguns motoristas estariam se recusando a fazer trajetos fora de sua rota habitual, mesmo sendo contratados para cumprir carga horária fixa e não itinerários.

A diretora do Dom Bosco foi procurada, mas não se manifestou. No entanto, horas após o contato do Portal Acre,  a reportagem recebeu um áudio encaminhado aos pais de alunos relatando o retorno do transporte na manhã desta quarta-feira, 14.

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