
O surto de hantavírus registrado no navio de cruzeiro MV Hondius, que já provocou a morte de três pessoas e levou passageiros à quarentena, acendeu um alerta internacional sobre a doença. No Brasil, Minas Gerais confirmou neste domingo, 10, a primeira morte por hantavirose em 2026, sem relação com o caso do cruzeiro.
Diante da repercussão, a reportagem do Portal Acre procurou o médico infectologista acreano, Thor Dantas, que explicou o que é a doença, como ocorre a transmissão e quais cuidados são necessários para evitar a infecção.
Entenda o que é o vírus
Segundo o especialista, o hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com a urina e fezes de roedores silvestres, sendo mais comum em áreas rurais.
“O hantavírus é um vírus transmitido pela urina e pelas fezes de ratos, geralmente de roedores silvestres e não de roedores urbanos. Então é mais comum na área rural, não é o rato que a gente encontra muitas vezes na nossa casa”, explicou.
Thor Dantas destacou que a doença costuma ser grave e pode ser confundida inicialmente com outras enfermidades, como a leptospirose.
“É uma doença bastante grave, que se assemelha ao quadro clínico da leptospirose. A diferença é que a leptospirose é causada por bactéria e é muito mais comum, principalmente no Acre, associado às alagações”, afirmou.
O infectologista comentou ainda o caso que chamou atenção mundialmente nos últimos dias: o surto dentro do navio MV Hondius, que partiu da Argentina e registrou casos da cepa andina do hantavírus.
“O que chamou atenção foi um surto em um navio de cruzeiro vindo da Argentina, que é um local conhecido por ter hantavírus. Provavelmente alguém já infectado entrou no navio e, pelas condições de convivência em ambiente fechado, acabou transmitindo para outras pessoas”, disse.
De acordo com o infectologista, algumas cepas específicas do vírus possuem capacidade de transmissão respiratória entre humanos, especialmente em situações de contato próximo e prolongado.
“O hantavírus afeta os pulmões e pode ser transmitido de pessoa para pessoa por via respiratória. Isso provavelmente foi a causa do surto nesse navio”, explicou.
Apesar da preocupação gerada após a pandemia de Covid-19, o médico avalia que o risco de uma nova epidemia é considerado baixo.
“A transmissão respiratória do hantavírus é baixa. Diferente da Covid, que se transmite até por pessoas assintomáticas, na hantavirose geralmente isso ocorre em pessoas bastante doentes, gravemente comprometidas. O risco de uma pandemia é muito baixo nesse momento”, destacou.
Thor Dantas também reforçou as medidas preventivas, especialmente para pessoas que frequentam áreas rurais ou realizam limpeza de locais fechados onde possa haver presença de roedores.
“A principal forma de evitar a infecção é evitar contato com urina e fezes de rato. Na prática, isso significa usar equipamento de proteção individual, como luvas, botas e máscara, principalmente na limpeza de locais fechados”, alertou.
Segundo o médico, durante a limpeza, partículas contaminadas podem ficar suspensas no ar e serem inaladas.
“Quando você limpa um ambiente contaminado, formam-se aerossóis que podem ser inalados. Por isso, nunca se deve limpar locais com possível presença de urina de rato sem proteção”, reforçou.
O especialista também destacou que a pandemia deixou aprendizados importantes sobre prevenção de doenças respiratórias.
“Quem estiver com sintomas respiratórios deve usar máscara e evitar contato com outras pessoas. Isso vale para gripe, Covid, tuberculose e também para hantavirose”, afirmou.
Casos no Brasil e surto em navio
Neste domingo, 10, autoridades confirmaram novos casos positivos entre passageiros retirados do navio MV Hondius, que permanece atracado próximo à ilha espanhola de Tenerife. Até o momento, ao menos seis casos já foram confirmados no cruzeiro, incluindo três mortes.
Os passageiros estão sendo repatriados e deverão cumprir quarentena de 42 dias, conforme orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
No Brasil, Minas Gerais confirmou a primeira morte por hantavírus em 2026. A vítima foi um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, que tinha histórico de contato com roedores silvestres em área de lavoura.
Segundo a Secretaria de Saúde mineira, o caso brasileiro não possui relação com o surto registrado no navio.
Até o momento, sete casos de hantavírus no Brasil já foram registrados, segundo informações do Ministério da Saúde atualizadas até 27 de abril, nenhum deles tem relação com a variante identificada no cruzeiro.







