
Aconteceu nesta quinta-feira (14), na Secretaria de Estado de Educação do Acre, o Seminário Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. O evento reuniu autoridades, profissionais da rede de proteção e representantes da sociedade civil em um momento de conscientização e debate sobre o combate ao abuso e à exploração sexual infantojuvenil.
A ação faz parte da campanha Maio Laranja, mobilização nacional voltada à prevenção e ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. O auditório ficou lotado durante as palestras e discussões promovidas ao longo do encontro.
A palestra principal foi ministrada por Giliard Laurentino, consultor de proteção à infância e coordenador da campanha Faça Bonito Brasil e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), que abordou estratégias de prevenção, acolhimento e fortalecimento da rede de proteção às vítimas.

Durante o seminário, o juiz da Vara da Infância, Jorge Luiz Lima, chamou atenção para o perfil dos autores dos crimes.
“Trabalhamos todos os dias com audiências criminais contra crianças e adolescentes e a maior parte dos autores são pais e padrastos”, afirmou.
O magistrado também destacou que muitos abusadores conseguem esconder os crimes por trás de uma imagem social aparentemente positiva.
“Os agentes desses crimes são pessoas extremamente covardes e dissimuladas, mas perante a sociedade são vistas como pessoas íntegras”, declarou.
O promotor da Vara da Infância, Iverson Bueno, ressaltou a importância da supervisão familiar, especialmente no ambiente digital.
“Daqui pra frente teremos que repensar a educação, como supervisionamos os filhos em casa, principalmente no meio digital”, disse.
O promotor também alertou os pais sobre a necessidade de acompanhar o uso de celulares e redes sociais pelos filhos.
“Olhem o celular dos seus filhos. O pai e a mãe têm a obrigação de saber o que seu filho está fazendo”, pontuou.
Durante o encontro, também foram discutidos temas como o “ECA Digital”, voltado à proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual, além da chamada “revelação espontânea”, momento em que a criança consegue relatar de forma natural que sofreu abuso.
Representando os adolescentes presentes no evento, Anderson Azevedo destacou a importância da informação e da denúncia.
“É inaceitável que as crianças e adolescentes não conheçam seus direitos, e a maioria delas não conhece”, afirmou.
Ele também reforçou a responsabilidade dos adultos diante de situações de violência.
“E se você adulto souber que uma criança está sofrendo abuso e não denunciar, você está sendo conivente com um erro tão grave”, alertou.
A delegada da Polícia Civil, Juliana de Angeles, explicou o papel da instituição no combate aos crimes. Segundo ela, as operações e ações de combate têm sido intensificadas principalmente nos municípios do interior do Acre.
“Temos intensificado as ações de combate principalmente no interior do estado, onde os casos são mais recorrentes”, concluiu.








