Rio Branco, 28 de maio de 2026.

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Seca severa: órgãos ambientais realizam reunião técnica e ampliam monitoramento diante de cenário preocupante

Representantes de órgãos ambientais se reuniram no Museu dos Povos Acreanos – Foto Lucas Dourado

Com previsão de um cenário de potencial seca severa no segundo semestre de 2026, órgãos ambientais e de Defesa Civil do Acre realizaram, nesta quinta-feira, 28, em Rio Branco, a reunião técnica “Pré-Seca 2026: Enfrentamento ao Período de Seca no Estado do Acre”. O encontro reuniu representantes estaduais, municipais, pesquisadores e especialistas para discutir medidas preventivas diante dos impactos esperados do fenômeno El Niño.

A reunião foi coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, no Museu dos Povos Acreanos.

O alerta ocorre em meio a uma nota técnica divulgada por órgãos federais apontar mais de 80% de probabilidade de formação do El Niño ao longo do segundo semestre deste ano, com risco de estiagem prolongada, aumento das temperaturas, queimadas e redução no nível dos rios amazônicos.

O secretário estadual de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, destacou que o objetivo da reunião é antecipar ações diante do cenário climático previsto.

Gestor da SEMA destacou que objetivo é antecipar ações preventivas – Foto Lucas Dourado

“É um momento que a gente traz especialistas para mostrar o prognóstico do que pode acontecer e também apresentar o que o Estado já está fazendo para se preparar. A educação ambiental e a participação da população são fundamentais, porque todos precisam ajudar nesse enfrentamento”, afirmou.

Segundo o secretário, além do risco de queimadas e fumaça, a seca também impacta diretamente a qualidade de vida da população.

“As pessoas querem um ar bom para respirar, querem água para beber em abundância, então tudo isso está diretamente ligado às ações de preservação ambiental”, acrescentou.

O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Batista da Costa, explicou que o encontro faz parte de um planejamento anual para reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos.

“A reunião antecipa ações para uma estiagem mais severa. O papel da Defesa Civil é justamente mobilizar e articular as instituições para prevenir aquilo que pode ser prevenido e mitigar os impactos nas populações mais vulneráveis”, disse.

O coronel também comentou estudos sobre a possibilidade de redução extrema do nível do Rio Acre nos próximos anos, mas descartou, neste momento, um cenário de “cota zero” em curto prazo.

“Existe a possibilidade de termos estiagens mais prolongadas e redução da vazão dos rios, mas não há nenhum estudo que mostre que chegaremos à cota zero do Rio Acre nesse período”, afirmou.

Nível do Rio Acre nesta quinta-feira está abaixo dos 3,8m em Rio Branco – Foto Lucas Dourado

A secretária de Povos Indígenas, Francisca Arara, destacou que a preocupação do Estado também envolve as comunidades indígenas e tradicionais, consideradas mais vulneráveis durante períodos de seca severa.

“Nós já estamos atuando com perfuração de poços e cacimbas para garantir água nas comunidades. Não estamos só falando, estamos fazendo e nos preparando para quando vier uma grande seca”, explicou.

Segundo a secretária, os territórios indígenas também desempenham papel estratégico na preservação ambiental e no combate ao desmatamento e às queimadas.

A presidente do Instituto de Mudanças Climáticas do Acre, Jaksilande Araújo, afirmou que o foco do órgão é buscar recursos para fortalecer ações de adaptação climática.

“Estamos trabalhando em editais voltados às comunidades tradicionais, especialmente para projetos de segurança hídrica diante dos eventos extremos”, destacou.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Acre, coronel Charles Santos, ressaltou que o trabalho da corporação vai além do combate aos incêndios florestais.

“Atuamos também na prevenção, orientação e agora também na fiscalização, em parceria com outros órgãos. As previsões meteorológicas para este ano exigem um cuidado ainda maior”, afirmou.

O encontro também teve transmissão online e contou com palestra do meteorologista Luiz Alves dos Santos Neto, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), sobre os prognósticos climáticos para os próximos meses na Amazônia.

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