
O Acre registrou 75.323 ocorrências criminais entre abril de 2025 e março de 2026, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) compilados pela plataforma Crime Brasil. Considerando a população estimada em 884.372 habitantes, o estado apresentou uma taxa de 8.517 ocorrências para cada 100 mil habitantes.
Os números revelam que os crimes mais frequentes registrados pelas forças de segurança acreanas estão ligados principalmente ao patrimônio e aos conflitos interpessoais. O furto aparece como a ocorrência mais comum no período, com 9.336 registros. Em seguida vêm os casos de ameaça, com 8.542 ocorrências, e os estelionatos, que somaram 6.968 registros.
O levantamento mostra ainda que lesões corporais responderam por 4.528 ocorrências, enquanto os roubos totalizaram 3.268 casos. Também figuram entre os registros mais frequentes os chamados conflitos diversos, perdas ou extravios de documentos e objetos, lesões corporais culposas de trânsito, danos e injúrias.
Os dados indicam que, embora os crimes violentos continuem sendo uma preocupação das autoridades, grande parte da demanda atendida pelas forças de segurança está relacionada a delitos patrimoniais, ameaças, conflitos cotidianos e fraudes, incluindo golpes que têm se tornado cada vez mais comuns em ambientes digitais.
Rio Branco concentra mais da metade das ocorrências
Como principal centro urbano do estado, Rio Branco concentra o maior volume de registros. Foram 39.536 ocorrências no período analisado, o equivalente a mais da metade de todos os casos registrados no Acre.
Na sequência aparecem Cruzeiro do Sul, com 6.938 ocorrências, Sena Madureira, com 4.028, e Tarauacá, com 3.564 registros.
Feijó ocupa a quinta posição, com 2.738 ocorrências, seguido por Brasiléia (2.449), Senador Guiomard (2.060), Epitaciolândia (1.972) e Xapuri (1.589).
Completam as primeiras posições do ranking Acrelândia (1.360), Bujari (1.232), Mâncio Lima (1.118), Plácido de Castro (1.093), Manoel Urbano (948), Porto Acre (810), Assis Brasil (793), Rodrigues Alves (667), Capixaba (657), Marechal Thaumaturgo (628) e Jordão (478).
Crimes patrimoniais e golpes desafiam a segurança pública
O destaque para furtos e estelionatos acompanha uma tendência observada em diversas regiões do país. Especialistas em segurança pública apontam que a ampliação do acesso a meios digitais, aplicativos de mensagens e serviços bancários online criou novas oportunidades para a prática de fraudes, ao mesmo tempo em que os furtos continuam representando uma das principais preocupações da população.
Os dados também mostram a relevância das ocorrências de ameaça, que ocupam a segunda posição no ranking estadual. Esse tipo de registro costuma estar associado a conflitos familiares, desentendimentos entre vizinhos e outras situações que frequentemente exigem intervenção policial.
Ferramenta permite acompanhar cenário da criminalidade
Os números foram reunidos pela plataforma Crime Brasil, que utiliza dados oficiais das secretarias estaduais de segurança pública e do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). A iniciativa disponibiliza indicadores sobre criminalidade em municípios brasileiros e permite acompanhar a evolução dos registros ao longo do tempo.
Embora as estatísticas não representem a totalidade dos crimes ocorridos — uma vez que dependem da formalização dos registros pelas vítimas e das ocorrências contabilizadas pelas autoridades — os dados oferecem um panorama importante sobre os desafios enfrentados pela segurança pública no Acre e ajudam a orientar ações de prevenção, policiamento e combate à criminalidade.
Sobre a plataforma Crime Brasil
Os dados utilizados nesta reportagem foram compilados pela plataforma Crime Brasil, uma publicação independente criada em 2024 com o objetivo de transformar informações oficiais de segurança pública em conteúdo acessível ao público.
Segundo a plataforma, mais de 15 milhões de registros de ocorrências já foram processados, abrangendo mais de 2.900 municípios em nove estados brasileiros. O projeto reúne informações provenientes de secretarias estaduais de segurança pública, órgãos federais e institutos de pesquisa, sempre indicando a fonte primária dos dados utilizados em suas análises.
O Crime Brasil disponibiliza páginas detalhadas por município e bairro, além de análises editoriais e painéis comparativos sobre indicadores de criminalidade. Atualmente, a plataforma oferece dados com detalhamento por bairros no Rio Grande do Sul, São Paulo, Alagoas, Acre e Piauí. Nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Tocantins, os indicadores são apresentados em nível municipal.
De acordo com seus responsáveis, o projeto não possui financiamento governamental, partidário ou publicitário direto, sendo mantido de forma independente. Todo o conteúdo disponibilizado pela plataforma é gratuito e de acesso aberto ao público.








