Rio Branco, 10 de agosto de 2026.

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Jorge Viana aposta em exportações, defende funcionamento da ZPE e propõe retomada de indústrias em Xapuri

Ao falar da Apex, Viana afirmou que pretende utilizar o conhecimento adquirido na área para incentivar a participação de empresas acreanas no comércio exterior – Foto Lucas Dourado

O candidato ao Senado e ex-governador Jorge Viana defendeu o fortalecimento das exportações como uma das estratégias para ampliar a geração de emprego e renda no Acre. Durante entrevista concedida na Expoacre 2026, Viana destacou a localização geográfica do estado, a Estrada do Pacífico, o Porto de Chancay, no Peru, e a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) como instrumentos que, segundo ele, podem contribuir para uma maior inserção da economia acreana no mercado internacional.

Ao falar sobre sua experiência recente na presidência da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Viana afirmou que pretende utilizar o conhecimento adquirido na área para incentivar a participação de empresas acreanas no comércio exterior.

Um dos principais pontos defendidos pelo candidato foi o funcionamento efetivo da ZPE do Acre. Viana lembrou que a iniciativa começou a ser discutida durante sua passagem pelo governo estadual e afirmou que, caso seja eleito, pretende trabalhar no Senado para atrair empresas para o espaço.

“Uma das metas minhas, senador, é fazer aquela ZPE funcionar porque é uma ideia da minha época. A Ásia se desenvolveu por conta disso e não implementaram. Então, no próximo ano, eu vou trabalhar para ter empresa ali dentro”, declarou.

Porto de Chancay entra na estratégia

Jorge Viana também destacou o Porto de Chancay como uma oportunidade para ampliar a conexão comercial entre o Acre e mercados asiáticos. O empreendimento portuário peruano foi citado pelo candidato em razão da capacidade de receber embarcações de grande porte e de sua posição no Oceano Pacífico.

Para Viana, a existência da Estrada do Pacífico coloca o Acre em uma posição diferenciada em relação a outros estados brasileiros interessados em utilizar portos peruanos para chegar aos mercados internacionais.

“A gente está falando há muito tempo, mas chegou a hora. É o único estado que fez a Rota do Pacífico. Vamos fazer uso dessa primeiro. A gente usa bem essa, depois vai fazer com que em outros lugares possa acontecer”, afirmou.

Segundo ele, o desafio é fazer com que o Acre não seja apenas um território de passagem de mercadorias destinadas ao Peru, mas participe diretamente da cadeia econômica criada a partir dessa integração.

Questionado sobre esse risco, Viana respondeu que o resultado dependerá da adoção de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico.

“A estrada passa aqui. O pessoal tem que vir para passar aqui para poder ir para Chancay. Ótimo para nós. Agora, quem é que está mais perto do Pacífico? Quem está com a vantagem comparativa? Nós. Aí precisa das políticas públicas”, disse.

Viana projeta crescimento das exportações acreanas

Durante a entrevista, o candidato apresentou números relacionados às exportações e afirmou que o Acre teria alcançado US$ 62 milhões em vendas ao exterior até junho deste ano. Na avaliação apresentada por ele, o estado poderá superar US$ 120 milhões em exportações até o encerramento de 2026.

Viana comparou a projeção com um volume de aproximadamente US$ 13 milhões registrado há uma década e atribuiu parte do crescimento atual à atuação do governo federal e da ApexBrasil.

Ele também citou segmentos e empresas que, segundo suas estimativas, deverão contribuir para o resultado das exportações acreanas.

“Só de carne vão ser exportados US$ 50 milhões. Só na Cooperacre vai ser US$ 15 milhões, na Dom Porquito deve chegar a uns US$ 18 milhões, soja perto de US$ 20 milhões”, declarou.

Para o ex-governador, ampliar o número de empresas exportadoras pode ter reflexos na geração de empregos e na remuneração dos trabalhadores.

“É uma área que eu posso ajudar. Isso gera emprego. Uma empresa que exporta paga melhor o salário dos funcionários do que uma que não exporta”, afirmou.

Candidato defende planejamento de longo prazo

Outro ponto abordado por Viana foi a necessidade de políticas de desenvolvimento que ultrapassem a destinação pontual de emendas parlamentares. Ele criticou o que chamou de “emenda de outdoor” e defendeu projetos estruturantes capazes de produzir resultados de longo prazo.

“Você muda com projeto, com plano de desenvolvimento”, declarou.

Nesse contexto, Viana mencionou o plano de governo da candidatura de Thor Dantas ao governo do Acre, elaborado com a participação de diferentes grupos e especialistas, e defendeu que os demais candidatos também apresentem propostas detalhadas para o desenvolvimento estadual.

As declarações foram feitas no contexto da campanha eleitoral e representam as avaliações e propostas apresentadas pelo candidato durante a entrevista.

Reabertura de indústrias em Xapuri

Além das exportações, Jorge Viana apresentou como objetivo trabalhar pela retomada de duas unidades industriais instaladas em Xapuri: uma fábrica de pisos ligada ao aproveitamento de produtos florestais e a unidade de produção de preservativos que utilizava látex extraído na região.

O candidato questionou a paralisação das atividades e afirmou que pretende atuar para que as duas estruturas voltem a funcionar.

“Eu vou trabalhar para reabrir essas duas indústrias, porque as duas juntas vão gerar mais de mil empregos diretos e vai fazer com que o seringueiro, o extrativista, ganhe dinheiro”, afirmou.

Viana defendeu que a preservação ambiental esteja associada à geração de renda para as comunidades que vivem da floresta. Segundo ele, atividades industriais vinculadas aos produtos extrativistas podem contribuir para manter famílias trabalhando nas próprias comunidades.

“Ele tem que ganhar dinheiro com a floresta. Ele tem que ganhar dinheiro com a pecuária dele, tem que ter condição de ter a agricultura dele, mas também tem que ganhar com atividade vinculada à indústria”, declarou.

Ao citar especificamente a antiga fábrica de preservativos, Viana lembrou que a unidade forneceu produtos ao Ministério da Saúde durante anos e questionou a interrupção da produção.

Segundo o candidato, a retomada dessas atividades, somada ao fortalecimento das exportações, da ZPE e da integração com o Pacífico, faz parte de uma estratégia que ele pretende defender para estimular a produção e ampliar oportunidades de trabalho no Acre.

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