
A pesquisa divulgada nesta quarta-feira (3) pelo Paraná Pesquisas sobre a disputa pelas duas vagas do Acre no Senado em 2026 trouxe números que chamaram atenção pelo equilíbrio entre alguns dos principais nomes da política acreana. Mas uma análise mais detalhada dos cenários apresentados pelo instituto permite observar movimentos que vão além da simples liderança deste ou daquele pré-candidato.
O primeiro aspecto que salta aos olhos é a consistência do desempenho de Jorge Viana (PT) e Márcio Bittar (PL). Embora os percentuais variem de um cenário para outro, os dois aparecem sempre entre os primeiros colocados e mantêm níveis de intenção de voto semelhantes mesmo quando outros concorrentes são retirados da disputa.
Isso sugere a existência de eleitorados relativamente consolidados em torno de ambos. Em outras palavras, não se trata apenas de lideranças beneficiadas pela fragmentação do quadro, mas de nomes que demonstram capacidade de permanecer competitivos em diferentes composições eleitorais.
O segundo elemento relevante é o papel desempenhado pelo ex-governador Gladson Cameli (PP). No cenário em que seu nome é incluído, ele surge no grupo dos líderes e forma um empate técnico com Jorge Viana e Márcio Bittar. Sua presença altera significativamente a dinâmica da disputa, embora sua eventual candidatura dependa da reversão da decisão que atualmente o torna inelegível.
Quando Gladson deixa de figurar na simulação, entretanto, não se observa a formação de um favorito isolado. Ao contrário, o espaço aberto é distribuído entre vários concorrentes, reforçando a percepção de que a disputa permanece amplamente aberta.
Outro dado que merece atenção é o crescimento de Mara Rocha (Republicanos) e do deputado federal Coronel Ulysses (União Brasil) nos cenários mais enxutos. À medida que o número de candidatos diminui, ambos passam a registrar percentuais mais elevados, aproximando-se do grupo que lidera a corrida.
Esse comportamento pode indicar que parte do eleitorado ainda está em processo de definição e tende a se reorganizar conforme o quadro eleitoral for ficando mais claro. Em eleições majoritárias, especialmente para o Senado, movimentos desse tipo costumam ganhar importância à medida que as campanhas se aproximam.
Também chama atenção o fato de que nenhum dos cenários aponta uma disputa já definida pelas duas vagas. Mesmo os candidatos mais bem posicionados aparecem relativamente próximos uns dos outros, enquanto nomes situados em um segundo pelotão mantêm condições de crescimento dependendo das alianças partidárias, do contexto político nacional e das decisões que ainda serão tomadas pelos próprios partidos.
A pouco mais de quatro meses do início oficial do período eleitoral de 2026, a principal conclusão da pesquisa talvez não seja quem lidera a corrida neste momento, mas sim o quanto ela permanece aberta. Os números mostram que existem favoritos, mas ainda não apontam vencedores. E, em uma eleição para duas vagas, essa diferença pode ser decisiva.





