

A Amazônia vive um momento histórico no combate ao desmatamento. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta quinta-feira (11), por meio do sistema Deter, mostram que os alertas de supressão florestal registrados entre agosto de 2025 e maio de 2026 atingiram o menor patamar da série histórica para o período, consolidando uma tendência de queda que alcança toda a região amazônica, incluindo o Acre.
De acordo com o levantamento, a área sob alerta de desmatamento na Amazônia acumulou redução de 37,5% em comparação com o mesmo período do ciclo anterior. Em relação ao acumulado de agosto de 2023 a maio de 2024, a queda chega a 31,4%. O resultado representa o menor valor já registrado pelo sistema para os dez primeiros meses do calendário de monitoramento.
Os números de maio também chamam atenção. O Deter registrou uma redução de 61,4% nos alertas de desmatamento em relação a maio de 2025, considerada pelo Inpe a maior queda já observada para o mês desde o início da série histórica. Na comparação com maio de 2024, a redução foi de 26,3%.
Embora o boletim não apresente dados individualizados por estado, os resultados têm significado direto para o Acre, que integra a Amazônia Legal e abriga uma das áreas mais preservadas da floresta tropical brasileira. O desempenho regional indica uma diminuição da pressão sobre os ecossistemas amazônicos, cuja conservação é fundamental para a manutenção da biodiversidade, dos recursos hídricos e da estabilidade climática.
A importância desse cenário vai além das fronteiras dos estados amazônicos. A floresta desempenha papel decisivo na formação dos chamados “rios voadores”, correntes atmosféricas de umidade que transportam vapor d’água para diversas regiões do Brasil e da América do Sul. A preservação da cobertura florestal ajuda a manter esse mecanismo natural, essencial para a regulação das chuvas, para a produção agrícola e para o abastecimento de água.
No Acre, onde grande parte da identidade econômica, cultural e histórica está ligada à floresta, a redução dos alertas de desmatamento representa um sinal positivo. O estado abriga unidades de conservação, territórios indígenas e reservas extrativistas que desempenham papel estratégico na proteção da Amazônia e na manutenção dos serviços ambientais prestados pela floresta.
Especialistas ressaltam que os dados do Deter não correspondem à taxa oficial de desmatamento, mas funcionam como um sistema de alerta rápido para orientar ações de fiscalização e combate aos crimes ambientais. Ainda assim, os resultados são considerados importantes indicadores das tendências observadas na região.
A redução dos alertas não elimina os desafios relacionados à proteção da Amazônia, mas demonstra que os esforços de monitoramento, fiscalização e conservação podem produzir resultados concretos. Para estados como o Acre, que têm na floresta um patrimônio ambiental e econômico, os números reforçam a importância de manter políticas voltadas à proteção dos recursos naturais e ao desenvolvimento sustentável.








