
Depois de conquistar leitores com o romance Cinco Mortes Simples, ambientado em Xapuri, o escritor xapuriense Elenckey Pimentel retorna ao universo do mistério com o lançamento de O Roubo d’A Gameleira, obra que combina suspense, reflexões sobre pertencimento e uma profunda conexão com a cultura acreana.
O novo romance tem como ponto de partida o desaparecimento de uma pintura intitulada A Gameleira, obra de um artista já falecido e considerada uma das peças mais importantes do Museu de Artes Plásticas Acreanas, em Rio Branco. Quando o jovem Inácio percebe que a pintura original foi substituída por uma cópia, uma investigação é desencadeada e acaba expondo problemas que vão muito além do universo artístico.
Para Elenckey, a chegada do livro ao público representa não apenas mais uma publicação, mas também a consolidação de uma trajetória construída ao longo dos últimos anos.
“Representa uma grande conquista. Mais um sonho realizado. Essa publicação tem o patrocínio de marcas que acreditam no meu trabalho e, mais importante ainda, a maioria dos patrocinadores é de Xapuri. É um espaço maior que foi sendo construído a partir da publicação de Cinco Mortes Simples e de outros trabalhos artísticos que venho realizando”, afirma.
Segundo o autor, a ideia da nova obra surgiu ainda durante a escrita de seu primeiro romance. Enquanto desenvolvia a trama de Cinco Mortes Simples, ele registrou anotações de futuras histórias que pretendia escrever.
“A ideia central dessa história surgiu quando eu ainda estava escrevendo Cinco Mortes Simples. Fiz as anotações necessárias para não perdê-la e, quando terminei um livro, comecei a me dedicar ao outro”, conta.
Embora tenha o roubo de uma obra de arte como elemento central, o romance vai além da investigação policial. O autor explica que a narrativa propõe reflexões sobre escolhas, identidade e as raízes culturais da sociedade acreana.
“Dessa nova narrativa, o leitor pode esperar diversão e reflexão. Reflexão sobre as consequências do que fazemos na vida, sobre pertencimento, sobre nossa cultura e nossas raízes. Ao mesmo tempo, vai se divertir com as reviravoltas e os personagens da história”, destaca.
A escolha da Gameleira como símbolo principal da obra não foi por acaso. Considerada um dos marcos históricos mais importantes de Rio Branco, a árvore centenária representa, para o escritor, um elo com a formação social e cultural do Acre.

“Escolhi a Gameleira e seu entorno para falar de um local histórico de Rio Branco que também fala muito da nossa formação como acreanos”, explica.
Ao longo da narrativa, temas como patrimônio cultural, desigualdades históricas, valorização das artes e os impactos das decisões individuais ganham espaço. Para o autor, o mistério serve como porta de entrada para discussões mais amplas sobre a sociedade.
“A história procura discutir a exploração do nosso povo desde a sua formação, como as artes são negligenciadas por quem não tem compromisso com seu povo e como vamos construindo nossas vidas e o resultado que temos disso como futuro”, afirma.
Os protagonistas também foram concebidos para representar aspectos presentes no cotidiano de muitos acreanos. Inácio, o jovem que percebe o desaparecimento da obra, simboliza talentos ainda não descobertos e o papel transformador da educação. Já Lucrécio, diretor do museu, representa aqueles que lutam para democratizar o acesso à cultura, mas enfrentam obstáculos impostos por interesses políticos.
A ligação entre literatura e identidade regional é uma marca constante na produção de Elenckey. Para ele, inserir lugares, símbolos e experiências acreanas em suas histórias é uma forma de contribuir para a preservação da memória coletiva.
“Meus livros não têm a pretensão de ser históricos, mas precisam representar a nossa vivência acreana. Nada mais natural que esses lugares, símbolos e momentos apareçam neles”, diz.
O escritor acredita que a literatura desempenha papel fundamental na manutenção da identidade cultural de um povo.
“Acredito piamente que a literatura pode preservar a nossa memória e nossa identidade. Cultura é exatamente isso: repetir, recontar e relembrar nossos hábitos coletivos, nossos símbolos e nossos lugares”, ressalta.
A nova publicação também evidencia a evolução do autor desde seu primeiro romance. Segundo ele, a experiência adquirida no processo de escrita e publicação trouxe mais liberdade criativa e segurança na construção das narrativas.
“Aprendi que posso me expressar mais, abusar da imaginação e lançar mão de detalhes importantes para cada história. Isso tem ajudado muito na criação das tramas e dos personagens”, afirma.
A recepção dos leitores acreanos, acrescenta, tem sido um estímulo para continuar produzindo.
“A receptividade tem sido a melhor possível. Além de se identificarem com as histórias ambientadas no Acre, muitos leitores já demonstravam expectativa pelo lançamento de O Roubo d’A Gameleira”, relata.
Enquanto celebra a chegada do novo livro, Elenckey já trabalha em novos projetos. Um terceiro romance está em andamento e há planos para levar suas histórias ao audiovisual, incluindo uma possível adaptação de Cinco Mortes Simples para uma série gravada em Xapuri.
Ao resumir a essência de sua nova obra, o escritor oferece uma definição simples, mas que sintetiza o coração da narrativa:
“É uma história sobre encontrar o seu caminho certo na vida.”
O livro já está disponível em plataformas como a Amazon e pode ser adquirido tanto no formato digital como físico. Sobre uma cerimônia oficial de lançamento, o autor ainda não tem uma data prevista.








