Rio Branco, 4 de junho de 2026.

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Semana do Meio Ambiente expõe desafio histórico do saneamento em Rio Branco

Prefeitura garante que investimentos estão sendo feitos para ampliar a oferta de rede de esgoto à população – Foto Secom

Enquanto a Semana do Meio Ambiente mobiliza reflexões sobre preservação da floresta, recursos hídricos e sustentabilidade, um tema menos visível, mas igualmente determinante para a qualidade ambiental e a saúde pública, continua impondo desafios ao Acre: o saneamento básico.

Dados do Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil e pela GO Associados com base em informações do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), mostram que Rio Branco permanece entre os municípios com os piores indicadores do país entre as 100 maiores cidades brasileiras.

Segundo o estudo, cujo ano base é 2024, Rio Branco ocupa a 98ª posição nacional, ficando à frente apenas de Porto Velho (RO) e Santarém (PA). Entre as capitais brasileiras, a cidade acreana integra o grupo das sete que aparecem entre os 20 piores desempenhos do ranking.

Os indicadores ajudam a dimensionar o desafio. O levantamento aponta que 46,74% da população é atendida pela rede de abastecimento de água. No caso da coleta de esgoto, o índice registrado é de 25,07%, enquanto o tratamento de esgoto alcança 44,53%.

Outro dado que chama atenção é o volume de perdas na distribuição. Mais da metade da água produzida — 53,35% — não chega efetivamente ao consumidor final, seja por vazamentos, problemas operacionais ou outras perdas registradas pelo sistema.

Os números contrastam com as metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento, que prevê até 2033 atendimento de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto.

Avanços recentes não aparecem integralmente no levantamento, diz Saerb

Procurado pela reportagem, o diretor-presidente do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), Enoque Pereira Lima, pondera que os dados utilizados pelo ranking refletem um período de transição do sistema de saneamento da capital e não contemplam integralmente os investimentos e intervenções realizados após a reversão dos serviços para o município, ocorrida em 2022.

“Quando o sistema voltou à gestão municipal, apenas 2,5% do esgoto produzido recebia tratamento e somente uma das três estações convencionais operava, ainda assim com cerca de 15% de sua capacidade”, afirma.

De acordo com o gestor, o percentual de esgoto tratado chegou a 17% em 2025 e a meta do Saerb é alcançar 52% até julho de 2027. Com a entrada em operação das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) da Redenção e da Cidade do Povo, obras conduzidas pelo governo estadual, esse percentual poderá atingir 68%.

Enoque também destaca investimentos na modernização do sistema de abastecimento de água. Segundo ele, mais de R$ 10 milhões já foram aplicados na aquisição de equipamentos, enquanto outros R$ 5,5 milhões estão em processo de licitação.

“Estão previstos investimentos da ordem de R$ 51,5 milhões entre 2026 e 2027, incluindo ampliação da capacidade de reservação, novas adutoras, melhorias nas estações de tratamento e obras para redução da intermitência no abastecimento”, complementa.

Outro indicador apontado pelo Saerb é a redução das perdas na distribuição de água. Segundo a autarquia, o índice era de aproximadamente 67% quando ocorreu a reversão dos serviços, em 2022. Em 2025, teria sido reduzido para cerca de 51%, com projeção de chegar a 45% até o final de 2026 e a 35% até 2027.

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