Rio Branco, 15 de julho de 2026.

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Abastecimento de água em Rio Branco avança na última década, mas ainda está longe da meta de universalização

Estudo diz que abastecimento no Acre está longe da meta prevista – Foto cedida

Enquanto a coleta de esgoto continua sendo o maior desafio do saneamento básico em Rio Branco, o abastecimento de água também está longe da universalização prevista pelo Marco Legal do Saneamento. Levantamento divulgado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, mostra que a capital acreana chegou a atender  53,16% da população com rede de abastecimento de água em 2020, mas esse dado caiu para 46,74% em 2024, se colocando muito distante da meta nacional de 99% até 2033.

Os dados fazem parte do estudo “Avanços do Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil – 2026”, que analisou a evolução dos principais indicadores de saneamento nas 27 capitais brasileiras entre 2020 e 2024. No caso de Rio Branco, a cobertura passou de 53,16% em 2020 para um pico de 60,73% em 2021, mas voltou a cair nos anos seguintes, chegando a 46,74% em 2024, o que representa uma redução de 6,42 pontos percentuais em relação ao início da série.

O resultado coloca Rio Branco entre as capitais com menor cobertura de abastecimento de água do país. Apenas Porto Velho (30,74%) e Macapá (76,05%, embora tenha apresentado forte crescimento) registram desempenhos que evidenciam os desafios históricos enfrentados pela Região Norte na ampliação da infraestrutura de saneamento. Enquanto isso, capitais como Curitiba e Porto Alegre já alcançaram cobertura de 100%, e São Paulo chegou a 99,98%, praticamente atingindo a meta de universalização.

Cenário preocupa

O Marco Legal do Saneamento determina que, até 2033, 99% da população brasileira tenha acesso ao abastecimento de água. No entanto, o estudo mostra que nenhuma unidade da Federação alcançou essa meta em 2024 e que as desigualdades regionais permanecem expressivas. A Região Norte continua com o menor índice de cobertura do país, embora tenha apresentado a maior evolução proporcional nos últimos anos.

Os pesquisadores destacam que os resultados devem ser analisados considerando a natureza estrutural dos investimentos em saneamento. A expansão das redes depende de obras de grande porte, sujeitas a planejamento, licenciamento e execução ao longo de vários anos, o que faz com que os efeitos do Marco Legal sejam graduais.

O que diz o Saerb

Sobre os indicadores de abastecimento de água, o diretor-presidente do Saerb afirma que os dados do estudo não incorporam as intervenções mais recentes executadas pelo município. Segundo Enoque Pereira Lima, mais de R$ 10 milhões já foram investidos na modernização do sistema, enquanto outros R$ 5,5 milhões estão em processo de licitação.

O gestor informa que estão previstos R$ 51,5 milhões em investimentos entre 2026 e 2027, destinados à ampliação da capacidade de reservação, implantação de novas adutoras, melhorias nas estações de tratamento e obras para reduzir a intermitência no abastecimento.

Outro resultado destacado pelo Saerb é a redução das perdas na distribuição de água. Segundo a autarquia, o índice era de aproximadamente 67% em 2022, quando os serviços retornaram ao município, caiu para cerca de 51% em 2025 e a meta é atingir 45% até o fim de 2026 e 35% em 2027.

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