

A pecuária bovina acreana manteve ritmo de crescimento no primeiro semestre de 2026, impulsionada pelo aumento do abate de animais e pelo avanço das exportações de carne. Dados divulgados pela Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (FAEAC) mostram que o estado registrou 338.109 bovinos abatidos entre janeiro e junho, volume 5,7% superior ao contabilizado no mesmo período de 2025, quando foram abatidas 319.960 cabeças.
Somente em junho, os frigoríficos acreanos abateram 54.783 bovinos, resultado 1,8% maior que o registrado em maio, quando o total foi de 53.814 animais. As fêmeas seguiram predominando nos abates, respondendo por 57,5% do total, enquanto os machos representaram 42,5%. A maior parte dos animais abatidos tinha mais de 36 meses de idade, faixa que concentrou 54,8% dos abates realizados no mês.
O crescimento da atividade também se refletiu no comércio internacional. De acordo com o boletim técnico da FAEAC, o Acre exportou 3.155,66 toneladas de carne bovina no primeiro semestre, ante 2.340,08 toneladas embarcadas no mesmo período de 2025, um aumento de aproximadamente 35%. Em receita, o desempenho foi ainda mais expressivo: as vendas passaram de US$ 10,3 milhões para US$ 16,1 milhões, crescimento superior a 56%.
Os indicadores reforçam o bom momento da cadeia da carne bovina no estado, que mantém expansão tanto na produção quanto na inserção no mercado externo.
Apesar do desempenho positivo da atividade, o boletim aponta sinais de acomodação nos preços pagos ao produtor. Após semanas de valorização e estabilidade, as cotações da arroba bovina recuaram R$ 10 entre os dias 18 de junho e 2 de julho em todas as categorias analisadas — boi castrado, boi inteiro e vaca/novilha.
O mercado de reposição também apresentou comportamento predominantemente de baixa na comparação entre junho e julho. Houve redução nos preços da maioria das categorias de animais jovens, com exceção do garrote e da novilha de 18 meses, que registraram valorização. Segundo a FAEAC, o movimento reflete um mercado mais pressionado neste início do segundo semestre.
Outro indicador destacado pelo levantamento é a movimentação do rebanho acreano. Considerando os abates e a saída de bovinos vivos para outros estados, o chamado “desfrute” já alcançou 529.821 animais em 2026, o equivalente a 10,23% do rebanho existente no início do ano. O estado também acumulou a saída interestadual de 191.712 bovinos vivos, volume 10,2% superior ao registrado no primeiro semestre de 2025, embora apenas em junho esse fluxo tenha apresentado retração de 22,5% em relação ao mês anterior.
Para o setor, apesar do dado negativo de junho referente à saída de bois vivos para outros estados, os números confirmam a continuidade do aquecimento da pecuária bovina acreana, uma das principais atividades econômicas do estado, sustentada pelo aumento da produção e pela maior demanda internacional por carne bovina brasileira, mesmo em um cenário de ajuste nos preços internos.








