
O Movimento “Levante Feminista do Acre”, campanha de enfrentamento ao feminicídio, lesbocídio e transfeminícidio no estado, divulgou, nesta terça-feira, 7, uma nota pública de indignação e denúncia após os dois casos de feminicídios registrados em menos de 48 horas no interior do Acre.
Entenda os casos
Na manhã do último domingo, 5, Juliana Barbosa Cerqueira, de 44 anos, foi morta a facadas pelo ex-companheiro, Aldemir Abreu de Oliveira, de 46 anos, que foi encontrado morto após o crime.
Segundo informações divulgadas pelo site G1 Acre, o casal teve cinco filhas juntos e tiveram um relacionamento de cerca de 30 anos. Aldemir aparecia com frequência na casa de Juliana, que tinha medida protetiva registrada contra ele.
O Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu), chegou a ser acionado, mas apenas constatou a morte de Juliana. Esse foi o primeiro caso de feminicídio registrado no Acre em 2026.
Na noite de segunda-feira, 6, outro crime foi registrado, dessa vez no km 27 da rodovia que liga os municípios de Manoel Urbano e Feijó. Maria Ferreira da Silva Almeida, de 49 anos, foi assassinada a facadas pelo marido, o bombeiro da reserva Osmar Pinheiro da Silva, de 58 anos, que também foi encontrado morto após o crime.
Em menos de dois dias, esse foi o segundo caso de feminicídio registrado no Acre esse ano.
Levante Feminista do Acre pede enfrentamento ao feminicídio
O feminicídio é, na maioria das vezes, o resultado da violência doméstica e um crime motivado pelo gênero. No ano passado, o Acre bateu recorde histórico no número de feminicídios, com 14 casos. O estado também esteve em primeiro lugar entre as unidades da federação na taxa do crime. Números alarmantes que revelam a necessidade de enfrentamento às violências contra as mulheres no Acre.
De acordo com a nota divulgada pelo Levante Feminista do Acre, os casos de feminicídio necessitam de “investigação, responsabilidade pública e resposta imediata do Estado”.
O movimento questiona ainda a eficácia das medidas protetivas. Segundo o texto, é necessário transformar a proteção formal em “proteção efetiva”.
Onde buscar ajuda
Em qualquer sinal de abuso, agressão ou ameaça, denuncie. É possível registrar denúncia e buscar amparo nas delegacias especializadas de atendimento à mulher. Em Rio Branco, a DEAM atua 24 horas por dia, localizada na Via Chico Mendes, n° 803, no segundo distrito de Rio Branco.
- Para casos de urgência, ligue 190, no canal da Polícia Militar.
- A Secretaria de Estado da Mulher também acolhe vítimas de violência. Localizada na Rua João XXIII, nº 1137, é possível entrar em contato através do número (68) 99930-0420.
- A Central de Atendimento à Mulher funciona pelo Ligue 180, sendo essencial para o combate.
Confira a nota do Levante Feminista na íntegra:
NOTA PÚBLICA DE INDIGNAÇÃO E DENÚNCIA DO LEVANTE FEMINISTA CONTRA O FEMINICÍDIO, LESBOCÍDIO E TRANSFEMINICÍDIO
Em menos de 48 horas, o Acre registrou dois feminicídios e dois suicídios ocorridos em contextos marcados pela violência de gênero. São mortes que exigem investigação, responsabilidade pública e resposta imediata do Estado.
Causa indignação o silêncio das autoridades diante da sucessão dessas mortes. O enfrentamento ao feminicídio exige prioridade absoluta, respostas públicas imediatas e compromisso permanente com a prevenção e o enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres.
É especialmente grave que a primeira vítima de feminicídio do ano estivesse amparada por medidas protetivas de urgência. O caso evidencia que a concessão da medida protetiva é vital, mas, por si só, não basta.
É urgente transformar proteção formal em proteção efetiva. Toda mulher sob ameaça deve permanecer viva.
O Levante Feminista reafirma que cada feminicídio constitui uma grave violação dos direitos humanos. Cada vida interrompida denuncia o fracasso do Estado em garantir às mulheres o direito fundamental à vida, à liberdade e à segurança.
Nenhuma a menos. Vivas, livres e protegidas.








