
Em conversa exclusiva com o Portal Acre, a pastora Regiane Maciel, que afirma ter prestado os primeiros socorros à menina de 11 anos, internada após ingerir uma substância contendo soda cáustica, contestou a versão apresentada pela defesa de Joelma do Nascimento Maciel, investigada no caso. Segundo ela, por morar ao lado da família e acompanhar de perto a rotina da criança, presenciou situações que, em sua avaliação, poderão contribuir para o esclarecimento dos fatos apurados pelas autoridades.
A manifestação ocorre após o advogado Valber Fontinele divulgar uma nota e um vídeo afirmando que Joelma também teria sido vítima da contaminação do medicamento e que sua inocência será comprovada durante o andamento do processo judicial.
Ao Portal Acre, Regiane afirmou que foi surpreendida com as declarações da defesa e rebateu a afirmação de que ela não teria conhecimento sobre o caso.
“Eu tô sendo mais assim, metralhada até pela defesa dela, que ele disse que eu não sou especialista no caso, né, eu não tenho nada com investigação, que eu sou apenas uma blogueira, mas ele não sabe que eu socorri a menina, que eu morava do lado deles, que ela trabalhava na minha casa, que ela maltratava a menina na frente da gente, então assim, tem muitas coisas que vai vir à tona aí.”
A pastora disse ainda que, nesta segunda-feira (13), recebeu a visita de uma prima da criança, que esteve no hospital acompanhando Maria. Segundo Regiane, a familiar relatou que a menina revelou detalhes dos momentos seguintes à ingestão da substância.
De acordo com a pastora, a criança contou que, quando começou a passar mal, ouviu uma conversa entre a madrasta e o pai. Conforme o relato atribuído à menina, a madrasta teria sugerido inicialmente que ela fosse levada até a residência da religiosa para receber leite, mas depois teria mudado de ideia.
“Na verdade, a prima da Maria chegou aqui em casa hoje do hospital e disse que a Maria falou que quando ela começou a passar mal, ela ouviu quando a madrasta pediu para o pai da menina trazer a menina aqui para me dar apenas leite para ela cortar o efeito do veneno. Aí ela falava assim: ‘Leva ela…’. Aí depois dizia: ‘Não, não leva não, não leva não. Leva ela na pastora, não’. Ela dizia: ‘Pai, me leva na pastora, me leva’.”
Regiane também relembrou o momento em que a criança chegou à sua residência e afirmou que, diante da gravidade da situação, buscou ajudá-la enquanto aguardava o atendimento de emergência.
“Quando ela chegou aqui eu só pensava em orar por ela. Eu só orava por ela e, quando eu vi ela vomitando sangue, a gente chamou o Samu.”
Segundo a pastora, foi somente naquele momento que percebeu a gravidade do quadro clínico da menina. Após o acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a criança foi encaminhada para atendimento médico e permanece internada, recebendo acompanhamento especializado.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil do Acre. O pai e a madrasta da menina são investigados, em tese, pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado e maus-tratos. A Justiça decretou a prisão preventiva dos dois, que, até o momento, não foram localizados e são considerados foragidos.






