
A pecuária acreana atravessa 2026 com aumento do volume de animais processados dentro do próprio estado e forte expansão das exportações de carne bovina. De janeiro a julho, foram 400.009 bovinos abatidos no Acre, número que representa crescimento de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Boletim Técnico Mensal da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (FAEAC) divulgado nesta quinta-feira (20).
De acordo com os números apresentados, o movimento ganhou força em julho, quando os frigoríficos registraram 62.011 abates, uma alta de 13,4% em relação ao mês anterior, conforme os dados apresentados pela entidade. O resultado aparece entre os maiores volumes mensais registrados na série de 2026.
Ao mesmo tempo em que aumenta o número de animais destinados ao abate, a saída de bovinos vivos para outros destinos começa a perder força. No acumulado até julho, foram 218.488 cabeças enviadas para fora do Acre, volume ainda 4,5% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram 209.029 animais.
A diferença está no comportamento dos últimos meses. De acordo com a FAEAC, as saídas de gado vivo vêm apresentando quedas sucessivas desde abril e chegaram a 26.781 cabeças em julho, quando o boletim aponta retração de 28,11% nesse tipo de operação.
Carne ganha espaço no mercado externo
O cenário fica ainda mais expressivo quando os dados de abate e de saída de animais são relacionados ao desempenho das exportações. Entre janeiro e julho, o Acre exportou 4.041,4 toneladas de carne bovina, movimentando US$ 21,5 milhões. No mesmo período de 2025, haviam sido exportadas 2.805,2 toneladas, com receita de US$ 12,5 milhões.
Na comparação anual, isso significa um crescimento de aproximadamente 44% no volume exportado e de cerca de 72% no valor obtido com as vendas externas. Para a Faeac, o resultado reforça a agregação de valor e a inserção da indústria acreana no mercado internacional.
O desempenho acompanha um momento favorável para a carne bovina brasileira no mercado internacional. Dados do Ministério da Agricultura mostram que as exportações brasileiras de carne bovina in natura também cresceram no acumulado de janeiro a julho de 2026, chegando a US$ 10,5 bilhões, alta de 30,1% sobre 2025.
Outros dados
Dos 62.011 bovinos abatidos em julho, 47.702, ou 76,9%, passaram por estabelecimentos com Serviço de Inspeção Federal (SIF). Outros 11.330 animais, equivalentes a 18,3%, foram abatidos sob inspeção estadual (SIE), enquanto 2.979, ou 4,8%, passaram pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM).
O perfil dos animais destinados aos frigoríficos também chama atenção. Em julho, 57,5% dos bovinos abatidos eram fêmeas, contra 42,5% de machos. No acumulado de 2026, foram abatidas 229.914 fêmeas e 170.095 machos, mantendo a predominância feminina no total processado até julho.
A predominância também é observada entre os bovinos com mais de 36 meses, faixa que concentrou a maior parte dos abates do mês: 32.676 cabeças, ou 52,7% do total. Os animais de 25 a 36 meses representaram outros 38,5%.
O aquecimento também aparece no mercado de reposição. Entre 8 de julho e 11 de agosto, o preço médio do boi magro de 375 quilos passou de R$ 3.600 para R$ 4.100, alta de aproximadamente 14%.
Também subiram os preços do garrote de 18 meses, da novilha e da vaca solteira. A FAEAC relaciona a valorização à alta da arroba bovina no mercado nacional, que também influenciou as cotações praticadas no Acre.
O boletim aponta ainda que a arroba do boi gordo permaneceu relativamente estável durante boa parte de julho, mas acelerou no fim do mês e atingiu seus maiores patamares em agosto.








