Rio Branco, 21 de agosto de 2026.

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Milho ganha espaço enquanto soja recua na produção e nas exportações do Acre

Exportação do milho de primeira safra cresceu 7,2% no Acre em junho – Foto reprodução

A agricultura acreana começa a apresentar uma mudança no perfil da produção de grãos em 2026. Enquanto a soja perdeu área, reduziu a produção e teve queda nas exportações, o milho avançou nos principais indicadores, com crescimento da área cultivada, produtividade, produção e vendas externas, segundo o Boletim Técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (FAEAC), divulgado nesta quinta-feira (20).

Na comparação entre julho de 2025 e julho de 2026, a produção de soja recuou 1,2%, para 61.479 toneladas. Já o milho de primeira safra cresceu 7,2%, chegando a 86.405 toneladas, enquanto o milho safrinha avançou 15,4%, alcançando 50.851 toneladas. Somadas, as duas safras de milho produziram cerca de 137,3 mil toneladas, mais que o dobro da soja.

A retração da soja não ocorreu por queda de eficiência. A área colhida diminuiu 6,3%, mas o rendimento médio aumentou 5,4%, chegando a 3.926 quilos por hectare. O ganho de produtividade ajudou a limitar a queda da produção, que ficou em apenas 1,2%.

O milho, por outro lado, cresceu nas duas safras. A área da primeira safra aumentou 5,91%, enquanto a safrinha avançou 13,65%. A FAEAC aponta o milho safrinha como um dos principais motores da atividade na entressafra.

Entre janeiro e julho, os embarques de soja caíram 17,13%, passando de 54.250,2 para 44.954,2 toneladas. No mesmo período, as exportações de milho aumentaram 49,05%, de 711,5 para 1.060,5 toneladas.

Apesar do avanço, a soja ainda domina amplamente o comércio exterior de grãos do Acre, respondendo por aproximadamente 97,7% do volume exportado. O movimento, portanto, indica uma diversificação gradual, e não uma substituição da oleaginosa pelo milho.

Os preços também melhoraram. A saca de soja passou de R$ 124 para R$ 131, enquanto o milho subiu de R$ 65 para R$ 70 entre julho e agosto. As altas foram de 5,65% e 7,69%, respectivamente.

O cenário, porém, exige cautela. A FAEAC cita previsão de redução das chuvas e temperaturas mais altas no Acre nos próximos meses, fatores que podem aumentar os riscos para o plantio da próxima safra.

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