Rio Branco, 12 de agosto de 2026.

Detran agosto

Acre despeja 57 milhões de litros de esgoto sem tratamento nos rios por dia, aponta novo estudo do Trata Brasil

Estudo estima que volume represente 64,8 litros de esgoto nos rios por habitante diariamente – Foto cedida

Um novo estudo elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a EX ANTE Consultoria intitulado “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento no Acre”, lançado agora no começo de agosto, afirma que o Acre despeja diariamente nos córregos, rios e igarapés cerca de 57,1 milhões de litros de esgoto sem tratamento.

Esse volume representa aproximadamente 64,8 litros por habitante todos os dias e, ao longo de um ano, corresponde a cerca de 20,8 milhões de metros cúbicos de água poluída lançados nas bacias hidrográficas do estado.

O levantamento mostra que o problema está diretamente relacionado ao baixo nível de tratamento do esgoto no estado. Em 2024, apenas 25,1% da água consumida no Acre recebia tratamento antes de retornar ao meio ambiente. Na prática, isso significa que os outros 74,9% voltavam aos rios e igarapés sem passar por tratamento.

O cenário ambiental do estado é resultado de um dos maiores déficits de saneamento do país. De acordo com o estudo, 490,7 mil pessoas ainda viviam em residências sem acesso à água tratada em 2024, o equivalente a 55,7% da população considerada no levantamento. No Brasil, esse percentual era de 18,1%.

A situação é ainda mais crítica quando se considera a coleta de esgoto. 783,4 mil habitantes não tinham acesso ao serviço, fazendo com que o déficit chegasse a 89% no Acre, praticamente o dobro da média nacional, de 44,8%.

O estudo também mostra que o avanço registrado nas últimas décadas ainda foi insuficiente para eliminar o passivo. Entre 2000 e 2022, cerca de 300 mil pessoas passaram a ter acesso ao abastecimento de água tratada e outras 183 mil passaram a contar com coleta de esgoto em suas residências.

Impacto vai além da poluição dos rios

Para o Instituto Trata Brasil, a universalização do saneamento tem potencial de produzir efeitos que vão além da melhoria da infraestrutura. A expansão dos serviços é associada no estudo à redução de gastos com saúde, aumento da produtividade do trabalho, valorização dos imóveis e crescimento da atividade turística.

Entre 2025 e 2040, a estimativa é de R$ 15,4 bilhões em benefícios decorrentes da universalização do saneamento no Acre, diante de custos sociais de R$ 6,4 bilhões. O saldo positivo projetado chega a R$ 9 bilhões.

“Alcançar a universalização do saneamento no Acre significa reverter um quadro de déficits nos serviços básicos que pode gerar R$ 9 bilhões em ganhos líquidos para o estado entre 2025 e 2040, com retorno de R$ 4,20 para cada real investido”, afirma a  presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto.

A maior parcela dos ganhos está relacionada ao aumento da produtividade e da renda do trabalho. O estudo estima R$ 5,42 bilhões em aumento da renda dos trabalhadores no período, além de R$ 880,4 milhões em valorização imobiliária e R$ 443,5 milhões relacionados ao turismo.

Despoluição como proteção da Amazônia

O estudo associa diretamente a universalização do saneamento à preservação ambiental. A redução do lançamento de esgoto sem tratamento nos corpos hídricos é apontada como uma condição para a melhoria da qualidade ambiental e para a proteção dos recursos naturais da Amazônia.

“Despoluir os corpos hídricos é condição essencial para proteger a floresta amazônica e o modo de vida de quem depende dela. Em 2026, ano eleitoral, o saneamento precisa estar no centro do debate público, garantindo que a população acreana tenha acesso a um dos serviços mais básicos para a saúde e a dignidade, o acesso a água tratada e a coleta e tratamento dos esgotos”, acrescenta Luana Pretto.

O estudo estima ainda que, considerando os efeitos posteriores a 2040, a universalização deixaria um legado permanente de ganhos. A projeção aponta R$ 10,1 bilhões em saldo de perpetuidade, elevando para R$ 19,1 bilhões o ganho total de bem-estar associado à expansão dos serviços. A estimativa equivale a um retorno social de R$ 4,20 para cada R$ 1 investido em saneamento.

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