
Um novo estudo elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a EX ANTE Consultoria intitulado “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento no Acre”, lançado agora no começo de agosto, afirma que o Acre despeja diariamente nos córregos, rios e igarapés cerca de 57,1 milhões de litros de esgoto sem tratamento.
Esse volume representa aproximadamente 64,8 litros por habitante todos os dias e, ao longo de um ano, corresponde a cerca de 20,8 milhões de metros cúbicos de água poluída lançados nas bacias hidrográficas do estado.
O levantamento mostra que o problema está diretamente relacionado ao baixo nível de tratamento do esgoto no estado. Em 2024, apenas 25,1% da água consumida no Acre recebia tratamento antes de retornar ao meio ambiente. Na prática, isso significa que os outros 74,9% voltavam aos rios e igarapés sem passar por tratamento.
O cenário ambiental do estado é resultado de um dos maiores déficits de saneamento do país. De acordo com o estudo, 490,7 mil pessoas ainda viviam em residências sem acesso à água tratada em 2024, o equivalente a 55,7% da população considerada no levantamento. No Brasil, esse percentual era de 18,1%.
A situação é ainda mais crítica quando se considera a coleta de esgoto. 783,4 mil habitantes não tinham acesso ao serviço, fazendo com que o déficit chegasse a 89% no Acre, praticamente o dobro da média nacional, de 44,8%.
O estudo também mostra que o avanço registrado nas últimas décadas ainda foi insuficiente para eliminar o passivo. Entre 2000 e 2022, cerca de 300 mil pessoas passaram a ter acesso ao abastecimento de água tratada e outras 183 mil passaram a contar com coleta de esgoto em suas residências.
Impacto vai além da poluição dos rios
Para o Instituto Trata Brasil, a universalização do saneamento tem potencial de produzir efeitos que vão além da melhoria da infraestrutura. A expansão dos serviços é associada no estudo à redução de gastos com saúde, aumento da produtividade do trabalho, valorização dos imóveis e crescimento da atividade turística.
Entre 2025 e 2040, a estimativa é de R$ 15,4 bilhões em benefícios decorrentes da universalização do saneamento no Acre, diante de custos sociais de R$ 6,4 bilhões. O saldo positivo projetado chega a R$ 9 bilhões.
“Alcançar a universalização do saneamento no Acre significa reverter um quadro de déficits nos serviços básicos que pode gerar R$ 9 bilhões em ganhos líquidos para o estado entre 2025 e 2040, com retorno de R$ 4,20 para cada real investido”, afirma a presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto.
A maior parcela dos ganhos está relacionada ao aumento da produtividade e da renda do trabalho. O estudo estima R$ 5,42 bilhões em aumento da renda dos trabalhadores no período, além de R$ 880,4 milhões em valorização imobiliária e R$ 443,5 milhões relacionados ao turismo.
Despoluição como proteção da Amazônia
O estudo associa diretamente a universalização do saneamento à preservação ambiental. A redução do lançamento de esgoto sem tratamento nos corpos hídricos é apontada como uma condição para a melhoria da qualidade ambiental e para a proteção dos recursos naturais da Amazônia.
“Despoluir os corpos hídricos é condição essencial para proteger a floresta amazônica e o modo de vida de quem depende dela. Em 2026, ano eleitoral, o saneamento precisa estar no centro do debate público, garantindo que a população acreana tenha acesso a um dos serviços mais básicos para a saúde e a dignidade, o acesso a água tratada e a coleta e tratamento dos esgotos”, acrescenta Luana Pretto.
O estudo estima ainda que, considerando os efeitos posteriores a 2040, a universalização deixaria um legado permanente de ganhos. A projeção aponta R$ 10,1 bilhões em saldo de perpetuidade, elevando para R$ 19,1 bilhões o ganho total de bem-estar associado à expansão dos serviços. A estimativa equivale a um retorno social de R$ 4,20 para cada R$ 1 investido em saneamento.








