
O Acre encerrou o ciclo de monitoramento do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) com 153,8 km² de áreas sob alerta de desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026, uma redução de 35,3% em relação ao ciclo anterior. Os dados foram divulgados na última sexta-feira (7), em coletiva realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), e colocam o estado entre aqueles que registraram queda nos alertas na Amazônia.
O resultado acreano acompanha uma redução mais ampla observada no bioma. No período analisado, a área sob alerta na Amazônia caiu 36,05%, passando para 2.874,38 km², o menor valor da série histórica do Deter, iniciada em 2016. O resultado também ficou abaixo da média dos dez últimos ciclos de monitoramento.
Entre os estados amazônicos, o Acre apresentou a quinta maior área sob alerta, atrás de Pará (987,27 km²), Mato Grosso (834,41 km²), Amazonas (433,9 km²) e Roraima (272,6 km²). Depois do Acre aparecem Rondônia, com 114,3 km².
A redução registrada no estado também foi superior à observada em parte dos principais estados da região. O Pará teve queda de 25,5%, Mato Grosso de 49%, Amazonas de 46,7% e Rondônia de 41,2%. Roraima foi na direção oposta e registrou aumento de 32,5% nos alertas.
Acre acompanha redução regional
O resultado coloca o Acre entre os estados que contribuíram para a redução dos alertas de desmatamento na Amazônia no último ciclo. Embora a área registrada pelo Deter ainda represente uma parcela relevante dos alertas do bioma, o recuo de mais de um terço em relação ao período anterior indica uma redução na ocorrência de alterações detectadas pelo sistema.
A diferença entre os indicadores, porém, exige cautela na interpretação dos números. Os 153,8 km² não correspondem à taxa oficial de desmatamento do Acre, assim como os 2.874,38 km² registrados em toda a Amazônia não representam a taxa oficial do bioma.
O Deter é um sistema de acompanhamento rápido utilizado principalmente para identificar áreas onde estão ocorrendo alterações na cobertura vegetal e orientar ações de fiscalização. O sistema produz alertas diários para alterações superiores a 3 hectares e pode detectar tanto áreas com desmatamento quanto sinais de degradação provocados por atividades como exploração madeireira, mineração e queimadas.
A medição oficial do desmatamento é feita posteriormente pelo Programa de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite (Prodes), também do Inpe. O sistema utiliza uma análise mais detalhada das imagens de satélite para calcular a área efetivamente desmatada e, por isso, seus números podem ser diferentes e, em geral, superiores aos alertas identificados pelo Deter.
Resultado histórico ainda depende do Prodes
Apesar da redução expressiva apontada pelo Deter, o resultado definitivo sobre o comportamento do desmatamento na Amazônia no ciclo 2025-2026 ainda dependerá da divulgação dos dados do Prodes.
O resultado apresentado na sexta-feira, portanto, funciona como um indicador antecipado do cenário, permitindo identificar a tendência e as áreas que demandam atenção das equipes de fiscalização antes da consolidação da taxa oficial.
No caso do Acre, a queda de 35,3% nos alertas representa um sinal positivo no monitoramento da floresta, mas não permite, isoladamente, afirmar que o desmatamento oficial do estado caiu na mesma proporção. Essa confirmação dependerá do levantamento mais detalhado realizado pelo Prodes.








