
O Acre registrou uma forte aceleração das queimadas nesses últimos dias de agosto. Dados atualizados do BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam 173 focos de calor somente entre os dias 27 e 28 de agosto, fazendo o número acumulado no estado chegar a 410 ocorrências entre 1º de janeiro e esta sexta-feira, (28).
O volume registrado em apenas dois dias corresponde a 42,2% de todos os focos identificados no Acre desde o início do ano. A concentração chama ainda mais atenção porque agosto, sozinho, já responde por 313 focos, o equivalente a 76,3% de todas as ocorrências registradas em 2026.
O cenário representa uma mudança significativa em relação ao comportamento observado nos primeiros meses do ano. Entre janeiro e abril, o estado teve apenas seis focos de calor. Maio registrou 15, junho 20 e julho 56. A aceleração veio em agosto, especialmente na última semana.
A escalada ficou evidente na sequência dos registros. Depois de 37 focos em 17 de agosto e 31 em 23 de agosto, o estado registrou apenas dois focos no dia 26. No dia seguinte, porém, foram identificados 48 focos, seguidos por impressionantes 125 ocorrências em 28 de agosto.
O resultado do dia 28 é o maior número de focos registrados em um único dia no Acre em 2026 e mais que triplica o recorde anterior, de 37 ocorrências.
Somados, os registros de 27 e 28 de agosto chegam a 173 focos. É como se, em apenas 48 horas, o estado tivesse concentrado mais ocorrências do que em todo o período de janeiro a junho, que acumulou 41 focos.
A concentração das ocorrências em agosto ocorre justamente na aproximação dos meses que historicamente apresentam maior pressão das queimadas no estado. Com 313 focos até o dia 28, agosto já registra mais de cinco vezes o número de ocorrências de julho inteiro, que terminou com 56.
O dado mais recente, portanto, não aponta apenas para um pico isolado. A sequência de ocorrências em diferentes dias e o salto expressivo nos dias 27 e 28 indicam uma intensificação das queimadas na reta final do mês.
Embora o número anual ainda deva ser comparado com a série histórica completa para dimensionar o comportamento de 2026, a concentração dos focos em agosto é um sinal de atenção. O estado entra agora em setembro, período que historicamente está entre os mais críticos para as queimadas.
Os registros do BD Queimadas correspondem a focos de calor detectados por satélite, que não equivalem necessariamente ao número de incêndios nem permitem, isoladamente, calcular a área efetivamente queimada.








