Rio Branco, 15 de agosto de 2026.

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Acre tem mercado favorável, mas infraestrutura, falta de qualificação e inovação travam crescimento empresarial

Qualificação profissional é um dos desafios a ser superados para o crescimento empresarial do Acre – Foto reprodução

O Acre tem mercado e demanda para que as empresas mantenham suas atividades e ampliem os negócios, mas ainda enfrenta dificuldades estruturais que limitam esse crescimento. É o que aponta o estudo Ambiente de Negócios do Acre 2026 – Diagnóstico e Percepções Empresariais, realizado pelo Sebrae em parceria com o Fórum Empresarial do Acre. A pesquisa ouviu 586 empresas em 12 municípios do estado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

Com a avaliação de sete dimensões: recursos financeiros, inovação, eventos climáticos, infraestrutura, telecomunicações/energia, mercado e demanda e recursos humanos, o levantamento informa margem de erro de 4,04%, com 95% de confiança.

O estudo criou o Índice de Ambiente de Negócios (IAN), que ficou em 50,87% no estado, resultado classificado como regular. Entre as sete dimensões analisadas, Mercado e Demanda apresentou a avaliação mais positiva, enquanto inovação, recursos humanos e infraestrutura aparecem como os principais obstáculos ao desenvolvimento empresarial.

Na avaliação sobre Mercado e Demanda, 80,17% das respostas foram positivas. O resultado mostra que os empresários, de maneira geral, consideram que existe demanda suficiente para manter seus negócios e que há espaço para expansão. O problema está nas condições para aproveitar esse mercado.

Inovação é o principal gargalo

A inovação foi a dimensão pior avaliada na pesquisa. Ao todo, 66,05% das avaliações foram negativas, sendo 43,66% classificadas como “muito ruim” e 22,39% como “ruim”. Apenas 16,79% foram positivas.

O estudo aponta que o Acre possui uma estrutura institucional voltada à ciência, tecnologia e inovação, mas suas ações ainda não chegam de forma perceptível a uma parcela significativa dos empresários, principalmente no interior.

Para os pesquisadores, é necessário aproximar o sistema estadual de inovação das empresas e fazer com que tecnologias e políticas de estímulo à inovação tenham maior alcance fora da capital.

Escassez de mão de obra

A falta de mão de obra qualificada também aparece como um dos principais problemas. 56,41% das avaliações sobre Recursos Humanos foram negativas, enquanto apenas 23,76% foram positivas.

A dificuldade não está necessariamente na falta de profissionais com formação superior. Empresários apontaram carência de trabalhadores com formação técnica, como eletricistas, mecânicos, encanadores, pedreiros e técnicos em refrigeração.

O diagnóstico registra ainda reclamações sobre atrasos, qualidade dos serviços e falta de profissionalização de parte desses trabalhadores. O estudo defende uma maior aproximação entre empresas, instituições de ensino, universidades e Sistema S para adequar a formação às necessidades do mercado.

Dificuldade logística

A infraestrutura é outro obstáculo importante. 53,45% das avaliações foram negativas, enquanto somente 14,14% foram positivas. O estudo destaca especialmente as condições das rodovias e ramais e o custo do transporte.

O relatório cita como exemplo o deslocamento entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul, que pode consumir até 34 horas em uma viagem de ida e volta, e relaciona as dificuldades logísticas ao aumento dos custos para empresas que precisam comprar insumos e distribuir seus produtos.

O problema é ainda mais acentuado no Vale do Juruá, onde 67,11% das avaliações sobre infraestrutura foram negativas, contra 48,72% no Vale do Acre. Ao mesmo tempo, o Juruá apresentou uma percepção mais positiva sobre o mercado: 90,60% das avaliações foram favoráveis.

Mercado existe

O diagnóstico aponta, portanto, para uma contradição: os empresários enxergam oportunidades de mercado, mas encontram dificuldades para transformar essa demanda em crescimento, produtividade e maior competitividade.

Entre os municípios pesquisados, Brasiléia apresentou o melhor resultado no IAN, com 59,99, seguida por Tarauacá, com 55,14, e Cruzeiro do Sul, com 54,04. Xapuri ficou em 50,67, praticamente na média estadual.

Na avaliação geral, o estudo aponta como desafios do ambiente empresarial acreano a baixa densidade produtiva, a dependência de infraestrutura crítica, a restrição financeira, a falta de qualificação e a vulnerabilidade ambiental. Para superar esses problemas, defende investimentos em infraestrutura, qualificação profissional, inovação, crédito e maior integração entre governo, empresas e instituições de ensino.

O estudo conclui que o futuro da economia acreana dependerá da capacidade de reduzir custos logísticos, elevar a complexidade da produção, fortalecer a inovação e qualificar trabalhadores. O desafio, portanto, não é apenas encontrar mercado, mas criar as condições para que as empresas consigam aproveitá-lo e crescer.

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