Rio Branco, 29 de agosto de 2026.

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Fusqueiros do Acre encaram mais de 4 mil quilômetros em expedição até Roraima

Integrantes do Fusca Clube Acre momentos antes do início da aventura até Roraima – Foto reprodução

Uma aventura sobre quatro rodas vai levar integrantes do Fusca Clube Acre a cruzar parte da Amazônia em uma viagem de aproximadamente 4,2 mil quilômetros. A Expedição BR-319 – Cruzando a Amazônia parte de Rio Branco neste sábado, 29 de agosto, com destino a Boa Vista, em Roraima, passando por Porto Velho, em Rondônia, e Manaus, no Amazonas. Além do desafio de percorrer a região em Fuscas, a iniciativa pretende aproximar clubes de veículos antigos dos estados da Região Norte.

A expedição é resultado de cerca de dois anos de planejamento. Segundo Nilton Pontes, diretor de eventos do Fusca Clube Acre e um dos responsáveis pelo projeto Fuscas por Aqui, a ideia começou a ganhar forma ainda em 2023, inicialmente com uma viagem até Manaus pela BR-319. Posteriormente, o grupo decidiu ampliar o percurso e seguir até Roraima.

“Vamos cruzar a Amazônia, sair do Acre e ir até Roraima. Fazer uma viagem que ninguém nunca fez de Fusca, sem carro de apoio, só a gente mesmo, enfrentando a estrada e mostrando que os fusquinhas, apesar da idade, suportam”, explicou Nilton.

A relação dos integrantes do clube com viagens de longa distância não é recente. Ao longo dos últimos anos, fusqueiros acreanos já realizaram trajetos para diferentes cidades do estado, além de viagens ao Peru. Em fevereiro deste ano, integrantes chegaram ao Chile de Fusca. Em 2024, o grupo também encarou as condições da BR-364 em uma viagem até Cruzeiro do Sul.

Um dos principais desafios da nova aventura será justamente a BR-319, especialmente no trecho entre Porto Velho e Manaus. A rodovia é conhecida pelas dificuldades de trafegabilidade em determinados períodos e será um dos pontos centrais dos relatos produzidos durante a expedição.

Além de registrar as condições da estrada, os viajantes pretendem mostrar as paisagens amazônicas, as comunidades existentes ao longo do percurso e os desafios enfrentados durante os dias de viagem. Todo o trajeto será acompanhado pelas redes sociais do projeto Fuscas por Aqui.

“Queremos mostrar os relatos diários, as dificuldades, os perrengues, as belezas da Amazônia e como vivem as comunidades às margens da estrada. Também queremos mostrar para as pessoas se é possível ou não fazer esse percurso. Se o fusquinha aguentar, qualquer carro aguenta”, brincou Nilton.

Expedição também busca unir clubes da Região Norte

Mais do que concluir o percurso, os quatro integrantes do Fusca Clube Acre, divididos entre dois veículos, que vão até Roraima pretendem aproveitar a expedição para fortalecer a relação entre os clubes de Fusca existentes nas capitais da Região Norte. Encontros já estão programados em Porto Velho, Manaus e Boa Vista.

O primeiro será realizado ainda no sábado (29), às 19h, com integrantes do Clube do Fusca de Rondônia, em Porto Velho. No domingo (30), os viajantes seguem em direção a Manaus, onde a chegada está prevista para terça-feira, 1º de setembro.

Na capital amazonense, um encontro com fusqueiros locais está marcado para 3 de setembro. No dia seguinte, a expedição segue para Boa Vista. Em Roraima, outro encontro está programado para 5 de setembro. O início da viagem de retorno ao Acre está previsto para domingo, dia 6.

Segundo Nilton, apesar da existência de clubes nos diferentes estados, a distância entre as capitais dificulta uma integração maior. A expedição pretende justamente criar esse elo e abrir caminho para que, futuramente, seja realizado um grande encontro regional de Fuscas.

“A ideia é se aproximar, se conhecer e unir os clubes da Região Norte. A gente vê grandes encontros acontecendo no Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Para nós é muito mais difícil e mais caro, mas temos o sonho de um dia conseguir fazer um grande encontro regional”, afirmou.

Depois de chegar a Roraima, os viajantes também planejam conhecer as regiões de fronteira com a Venezuela e a Guiana antes de iniciar o retorno. A previsão é de que toda a aventura, entre ida e volta, dure aproximadamente 10 a 12 dias.

Amigos ajudaram a financiar a aventura

Para colocar o projeto na estrada, os participantes precisaram se organizar financeiramente durante dois anos. Além da preparação mecânica dos veículos, a viagem envolve despesas com combustível, hospedagem, alimentação e outras necessidades ao longo do percurso.

Sem patrocínio empresarial, uma campanha criada pelos próprios fusqueiros ajudou a levantar parte dos recursos. Miniaturas de Fusca foram vendidas a amigos e apoiadores interessados em contribuir com a realização da expedição.

“Essa viagem está sendo patrocinada pelos amigos, por pessoas que gostaram da ideia e compraram os fusquinhas na campanha. Grande parte dos recursos que vamos utilizar conseguimos através desse apoio”, contou Nilton.

Segundo ele, o valor arrecadado não será suficiente para custear toda a expedição, mas deverá ajudar principalmente nas despesas com combustível, além de parte dos gastos com hospedagem e alimentação.

Com o lema “Não é turismo, é propósito”, a Expedição BR-319 começa na manhã de sábado em Rio Branco. Ao longo de mais de 4 mil quilômetros, os fusqueiros pretendem transformar a viagem não apenas em uma aventura, mas também em um registro da Amazônia vista da estrada. O grupo ainda planeja reunir as experiências da jornada em um livro, preservando as histórias, dificuldades e encontros vividos durante o percurso.

Quem quiser acompanhar a expedição poderá conferir os registros, bastidores e atualizações da viagem pelo Instagram @fuscasporaqui, no perfil oficial do projeto: https://www.instagram.com/fuscasporaqui?igsi=ZnJobnBna2VraG4w.

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