Rio Branco, 3 de agosto de 2026.

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Tecnologia usada pelos Bombeiros do Acre para priorizar resgates em enchentes vence prêmio nacional do MapBiomas

Bombeiros do Acre venceu na categoria especial Emergências Climáticas da 8ª edição do Prêmio MapBiomas – Foto cedida

Uma metodologia desenvolvida pelo Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC) para tornar mais eficiente o atendimento às vítimas de enchentes em Rio Branco conquistou reconhecimento nacional ao vencer a categoria especial Emergências Climáticas da 8ª edição do Prêmio MapBiomas. O trabalho demonstra como o uso integrado de mapas de risco, monitoramento hidrológico e georreferenciamento de ocorrências pode qualificar a tomada de decisões durante desastres, permitindo direcionar equipes para as áreas mais críticas da capital acreana.

O prêmio foi entregue durante o 2º MapBiomas User Summit, realizado em São Paulo, e reconheceu o estudo “Do mapa à decisão: o uso de programas de simulação de desastres hidrológicos pelo CBMAC na triagem territorial e priorização de ocorrências durante inundações em Rio Branco – AC”, assinado por Roger Johnny Filgueira Lima Santos, Francimar Ely Sousa do Nascimento, Luciano Alencar da Rocha e colaboradores. A premiação destaca iniciativas que utilizam dados produzidos pela Rede MapBiomas para apoiar a conservação ambiental, a gestão do território e o enfrentamento das mudanças climáticas.

O estudo parte de um desafio recorrente enfrentado pelo Corpo de Bombeiros durante as cheias do Rio Acre: o grande volume de chamados simultâneos e a necessidade de decidir rapidamente quais ocorrências devem receber atendimento prioritário. Tradicionalmente, essa definição costuma seguir a ordem de chegada das ligações ou a localização por bairros, critérios que nem sempre refletem o nível real de risco enfrentado pela população.

Premiação aconteceu em São Paulo – Foto cedida

Para superar essa limitação, os pesquisadores desenvolveram um modelo de apoio à decisão que reúne três conjuntos de informações: as áreas suscetíveis a inundações identificadas pelo Módulo de Risco Climático do MapBiomas, o monitoramento da evolução da cheia do Rio Acre e os chamados georreferenciados registrados pelo sistema de atendimento do Corpo de Bombeiros. A sobreposição dessas informações permite identificar, em escala de ruas e setores urbanos, quais regiões apresentam maior probabilidade de agravamento da situação e, por isso, devem receber atendimento prioritário.

Segundo os autores, a metodologia foi aplicada durante os eventos hidrológicos registrados em Rio Branco em 2025 e representou uma mudança de paradigma ao substituir um modelo predominantemente reativo por uma estratégia baseada em evidências territoriais. Em vez de depender apenas dos relatos recebidos por telefone, as equipes passaram a contar com informações espaciais capazes de antecipar áreas de maior vulnerabilidade e orientar o emprego dos recursos operacionais.

Bombeiro do Acre durante ação de resgate em enchente – Foto cedida

Os resultados apresentados no estudo indicam ganhos expressivos de eficiência. Na comparação entre dois eventos de inundação analisados em 2025, a taxa de conversão dos chamados — proporção entre ligações recebidas e atendimentos efetivamente realizados — aumentou de 17,1% para 86,7%. Já a produtividade operacional passou de 0,76 para 2,72 pessoas atendidas por profissional mobilizado. O trabalho também aponta redução do chamado “ruído informacional”, maior precisão na identificação das áreas críticas e melhor distribuição das equipes pelo território urbano.

A pesquisa também destaca que os ganhos obtidos não dependeram da ampliação do efetivo ou da aquisição de novos equipamentos, mas da melhoria da arquitetura de decisão utilizada durante as operações. Ao integrar informações territoriais, hidrológicas e operacionais, o sistema tornou mais racional a alocação dos recursos disponíveis e reduziu a necessidade de deslocamentos para verificações preliminares em locais que não apresentavam risco imediato.

Além do impacto operacional, os autores defendem que o modelo fortalece a governança da gestão de desastres ao incorporar critérios objetivos na priorização dos atendimentos, em consonância com diretrizes nacionais e internacionais para redução do risco de desastres. O estudo também aponta potencial de replicação da metodologia por outros órgãos de defesa civil, desde que disponham de dados territoriais compatíveis, monitoramento hidrológico e sistemas de georreferenciamento das ocorrências.

Nesta edição, o Prêmio MapBiomas recebeu mais de 330 trabalhos inscritos e premiou dez iniciativas de diferentes regiões do país, além de conceder quatro menções honrosas. A categoria Emergências Climáticas reconhece projetos que utilizam informações territoriais para fortalecer a prevenção, a preparação e a resposta a eventos extremos, cada vez mais frequentes em decorrência das mudanças climáticas.

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