
A aquisição de leite cru pelos estabelecimentos sob inspeção sanitária caiu 16,6% no Acre no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto o resultado nacional apresentou crescimento de 1%. Os dados são da Pesquisa Trimestral do Leite, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e apontam para uma retração da entrada de matéria-prima na indústria acreana.
Entre abril e junho, os laticínios e demais estabelecimentos sob inspeção adquiriram 2,191 milhões de litros de leite cru no Acre, contra 2,627 milhões de litros no segundo trimestre de 2025. A redução foi de aproximadamente 436 mil litros em um ano. O volume industrializado acompanhou exatamente o movimento, também com queda de 16,6%, passando de 2,627 milhões para 2,191 milhões de litros.
No Brasil, o comportamento foi diferente. A aquisição de leite cru aumentou de 6,549 bilhões para 6,614 bilhões de litros, alta de 1% na comparação anual. O resultado acreano também contrasta com o desempenho de estados como Paraná, que teve crescimento de 4,9%, Santa Catarina, com 2,2%, e Rio Grande do Sul, com 5,4%.
Menor chegada de leite à indústria
Para o professor doutor Eduardo Mitke, referência na medicina veterinária com atuação voltada à pecuária leiteira do Acre e um dos pioneiros do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Acre (Ufac), é importante diferenciar os conceitos utilizados pelo levantamento.
“Aquisição é o que chega na indústria. Industrialização é o que a indústria realmente industrializa”, explica.
Segundo ele, os números indicam que a indústria acreana efetivamente está recebendo menos leite. Entre os fatores apontados estão problemas na relação entre produtores e laticínios, diferenças de preços e questões relacionadas à qualidade do produto entregue.
“De um ano para o outro, a indústria daqui tem recebido menos produto mesmo. Por diversos motivos: alguns dos laticínios locais atrasam pagamento; preço: no Acre, como não há fiscalização, vender de forma clandestina tem valores mais elevados; e qualidade da matéria-prima ruim, que não passa na avaliação da plataforma dos laticínios”, afirma Mitke.
A avaliação ajuda a contextualizar a queda registrada pelo IBGE: o indicador não representa necessariamente toda a produção de leite existente no estado, mas o volume adquirido por estabelecimentos que participam da pesquisa e estão submetidos a algum tipo de inspeção sanitária. O próprio IBGE ressalta que os dados de 2026 são preliminares.








