
Natural de Senador Guiomard e atualmente morando em Tarauacá, Erika Costa, de 29 anos, carrega para o Miss Brasil FNBI 2026 uma história que vai muito além das passarelas. Miss Acre FNBI, técnica de enfermagem, estudante de Arquitetura e Urbanismo, maquiadora, visagista e modelo, ela encontrou nas dificuldades enfrentadas desde a infância uma motivação para desenvolver ações voltadas a outras pessoas.
Criada pela avó até os 12 anos, Erika relata que passou parte da infância e da adolescência entre diferentes casas e também por abrigos em municípios como Rio Branco e Feijó. Ainda muito jovem, aos 15 anos, casou-se e precisou lidar precocemente com novas responsabilidades.
As experiências familiares também tiveram impacto em sua trajetória. Segundo Erika, o pai enfrenta problemas relacionados ao alcoolismo e à dependência de drogas e chegou a viver em situação de rua. Em vez de esconder essa parte de sua história, ela afirma ter encontrado nela uma das motivações para transformar experiências difíceis em propósito.
“Tenho uma história marcada por desafios, mas também por muita transformação. Cada lugar e cada pessoa que passou pela minha vida me ensinou algo e ajudou a construir a mulher que sou hoje”, relata.
Foi a partir dessa vivência que nasceu o “Transformando Vidas”, quadro desenvolvido por Erika nas redes sociais. De forma voluntária, ela busca proporcionar experiências de cuidado e transformação a pessoas, especialmente mulheres, que enfrentam dificuldades financeiras e muitas vezes nunca tiveram acesso a determinados serviços de beleza e autoestima.
O projeto une a experiência pessoal de Erika à atuação como maquiadora e visagista. Para ela, a iniciativa representa uma maneira de utilizar aquilo que aprendeu profissionalmente para impactar outras histórias.
Do Acre para a etapa nacional

Miss Brasil FNBI, cuja sigla significa Festival Nacional da Beleza Integral, é um concurso de beleza que avalia a mulher de forma completa, não foca apenas na aparência física ou em padrões estéticos tracionais. O objetivo é valorizar, além da beleza, a presença, o propósito, a elegância e empoderamento feminino.
A chegada ao Miss Acre FNBI ocorreu após um processo de seleção. Erika passou por diferentes etapas, avançou até o grupo de finalistas e conquistou o título que lhe garantiu a responsabilidade de representar o estado nacionalmente.
“Eu cheguei até o Miss Acre FNBI através de uma seleção. Passei por várias etapas e, ao longo desse processo, fui conquistando meu espaço até chegar como uma das grandes finalistas. Foi uma experiência muito especial para mim, e hoje tenho a honra de ser a Miss Acre FNBI”, conta.
Agora, ela se prepara para o Miss Brasil FNBI 2026, previsto para acontecer entre 15 e 19 de novembro, no Rio Grande do Sul. A organização ainda aguarda a confirmação definitiva do local, com a região de Gramado e Canela entre as informações preliminares para receber o evento.
Aos 29 anos e com 1,63 metro de altura, Erika também leva para o concurso a experiência da maternidade atípica. Segundo ela, disputar a etapa nacional passou a representar não apenas a busca por um título, mas a possibilidade de mostrar uma trajetória construída apesar das adversidades. A acreana é mãe de três filhos, além de um enteado que cria desde os quatro anos.
“Hoje, como mãe atípica e Miss Acre FNBI, estar a caminho do Miss Brasil representa muito mais do que um concurso. É olhar para toda a minha trajetória e perceber que, apesar de tudo que vivi, eu continuei sonhando”, afirma.
Ao representar o Acre, Erika diz querer apresentar ao país elementos da identidade e da cultura acreana, além da força das pessoas que vivem na região.
“Quero levar comigo não apenas uma faixa e uma coroa, mas a nossa história, a nossa cultura, as nossas raízes e, principalmente, a força do nosso povo. Quero mostrar para o Brasil a beleza que existe no coração da Amazônia e representar o Acre com muita responsabilidade, orgulho e propósito”, destaca.
Para Erika, chegar à etapa nacional também simboliza a possibilidade de ressignificar capítulos difíceis da própria história.
“Quero levar comigo a força da minha história, do meu povo e o propósito de mostrar que é possível transformar a própria vida”, conclui.
Entre uma infância marcada por mudanças e dificuldades e a preparação para representar o Acre nacionalmente, Erika Costa chega ao Miss Brasil FNBI carregando uma trajetória em que o concurso se soma a um propósito pessoal: transformar experiências vividas em incentivo e apoio para outras pessoas.












