Rio Branco, 10 de setembro de 2026.

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Professora denuncia barulho de atos de campanha em frente a escola de Rio Branco: “Difícil trabalhar”

A realização frequente de atos de campanha eleitoral na Praça do São Francisco, em Rio Branco, tem provocado reclamações de profissionais da Escola Luiza Carneiro Dantas, localizada em frente ao espaço. Segundo o relato de uma professora da unidade, Vani Freitas, carros de som, bandeiraços e manifestações de apoiadores têm ocorrido durante os horários de aula e prejudicado as atividades dentro da escola.

De acordo com a educadora, diferentes grupos políticos têm utilizado o local ao longo dos últimos dias. Na última quarta-feira (09), segundo ela, houve movimentação de apoiadores do candidato Thor Dantas pela manhã e da governadora e candidata à reeleição Mailza Assis no período da tarde. Em outros dias, grupos ligados às campanhas de Alan Rick e Tião Bocalom também teriam realizado atividades no mesmo ponto.

A professora afirma que o problema não está na realização das atividades políticas em si, mas no volume do som e na proximidade dos atos com as salas de aula.

“Os grupos das campanhas se aglomeram ali na Praça do São Francisco, que fica mesmo na porta da escola, nas duas entradas. Eles ficam com bandeiras, carro de som e fazem bandeiraços. Quando passam carros, gritam. O som é alto e todos os dias tem alguma movimentação de algum candidato”, relatou.

Segundo Vani, algumas salas ficam muito próximas do muro e das ruas utilizadas pelos apoiadores, o que aumenta a interferência durante as aulas.

“Eles ocupam aquela rua todinha e alguns ficam na praça. É um barulho muito grande. A gente precisa de silêncio para trabalhar. Se fosse um som baixo, não atrapalhava, mas o problema é que o som é muito alto, eles gritam e isso acontece todos os dias”, acrescentou.

Uma das principais preocupações apontadas pela professora envolve a sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE). O espaço atende estudantes neurodivergentes, incluindo crianças autistas, que podem apresentar maior sensibilidade a estímulos sonoros.

“Uma das salas que considero mais prejudicadas é a do atendimento educacional especializado. O barulho parece que está dentro da sala. A sala é pequena e tem uma janela voltada para a rua. São crianças neurodivergentes, a maioria autistas, e a gente sabe que muitas têm dificuldade principalmente com som alto”, afirmou.

A situação, segundo o relato, também interfere no funcionamento administrativo da unidade. A professora disse que funcionários da secretaria enfrentaram dificuldades para conversar com pais, atender telefonemas e prestar informações devido ao volume externo.

“Parece que a gente está dentro de uma festa. As meninas estavam com muita dificuldade para atender pai, telefone ou entender alguém que chegava pedindo uma informação, porque o som estava muito alto”, contou.

Ainda conforme a educadora, os atos costumam ocorrer em horários diferentes conforme o período do dia. Pela manhã, as movimentações começariam mais cedo, enquanto à tarde seriam concentradas principalmente no fim do dia. Apesar disso, parte das atividades acontece antes do encerramento das aulas.

“Perto das 16 horas eles começam, mas nesse horário a gente ainda está em sala. Tem sido difícil trabalhar ali. Hoje estava infernal mesmo”, declarou.

A reclamação não é direcionada a uma única candidatura. Conforme o relato, a utilização recorrente do entorno da escola por diferentes grupos políticos é o principal motivo da insatisfação. A professora defende que as campanhas considerem a presença da unidade de ensino ao escolher o local e o volume dos equipamentos de som utilizados durante as mobilizações.

Em um vídeo, gravado pela professora dentro de sala de aula, é possível perceber como o barulho da campanha eleitoral dificulta o trabalho dos educadores e, consequentemente, o aprendizado dos estudantes.

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